São Paulo - As principais festas de 1 de Maio organizadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) - em Interlagos (zona sul), Ermelino Matarazzo (zona leste) e São Bernardo (Grande ABC) - e pela Força Sindical - na praça Campo de Bagatelle (zona norte) - reuniram menos de 1 milhão de pessoas até as 13h, segundo estimativa da Polícia Militar (PM). A previsão das duas centrais era reunir até 2,5 milhões nas festas ao longo do dia. O tema neste ano foi a redução da jornada de trabalho sem perda salarial.
Parte do esvaziamento pode ser atribuída às baixas temperaturas: São Paulo registrou a madrugada mais fria do ano, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). Os termômetros chegaram a medir 13º C em Parelheiros (zona sul).
A maior festa é a da Força Sindical, que reúne 800 mil pessoas. A organização do evento estima em 1 milhão de pessoas o público presente. A festa da Força é marcada por shows, sorteio de carros e casas, além de discursos políticos. Pelo palco da central passaram os ministros Carlos Lupi (Trabalho) e Marta Suplicy (Turismo), além do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e dezenas de sindicalistas.
Além do frio, as suspeitas de ligação do presidente da Força, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), esvaziaram a festa da central na praça Campo de Bagatelle. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), por exemplo, não compareceu, mas prestigiou o evento da CUT, tradicional reduto petista e concorrente da Força.
Outro que apareceu apenas na festa da CUT é o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), pré-candidato à Prefeitura de São Paulo. As três festas da CUT reuniram cerca de 100 mil, de acordo com a PM. Segundo capitão Romano, comandante do policiamento interno no autódromo de Interlagos (principal evento da central), o público não chegava a 100 mil (os principais shows acontecem mais tarde), quando o esperado era de 500 mil.
São Bernardo
Em clima de campanha eleitoral, o ministro da Previdência, Luiz Marinho, que participou da tradicional Missa do Trabalhador em São Bernardo do Campo (Grande ABC) ontem, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá seu candidato à prefeitura da cidade. “O presidente Lula terá um candidato (nas eleições municipais de São Bernardo), e vai apoiá-lo de forma intensiva no papel de presidente e de cidadão da nossa cidade”, afirmou Marinho.
Apesar de contar com o apoio do presidente, Marinho ainda não oficializou o anúncio da sua candidatura. “(A minha candidatura) será lançada quando for decidida. Tenho até 5 de junho para anunciar esta decisão. Neste momento, procuro viver intensamente o papel de ministro de Estado, porque há muito ainda o que fazer”, disse.
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Paulinho se defende
São Paulo - O presidente da Força Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (PDT-SP), disse ontem que sabe menos do que a imprensa sobre a investigação da Polícia Federal sobre desvios de parte dos empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entre os detidos pela PF na Operação Santa Tereza está o advogado Ricardo Tosto - que já foi solto -, integrante do conselho do BNDES por indicação da Força Sindical. “Eu sei menos que vocês da imprensa. Na hora que saiu meu nome nos jornais, pedi aos meus advogados que fossem até a Polícia Federal pedir o dossiê. Porque se estou envolvido, quero saber”, disse Paulinho.
Para a PF, o BNDES concedia empréstimos por meio da influência política de Paulinho e de Tosto.