Botucatu - A bárbarie que comoveu Botucatu no feriado de 1 de maio, quando pai e filha foram mortos a marteladas dentro de casa, no Jardim Continental, está prestes a ser desvendada. Wellington Gomes da Conceição é apontado como principal suspeito pelos assassinatos. Ele foi preso ontem em São Paulo e já se encontra na Cadeia Pública de Botucatu. O rapaz é ex-marido da médica Jane Amanda Robin Jerônimo, 28 anos, que foi uma das vítimas do crime.
Ele nega a autoria do duplo homicídio. O pai de Jane, João Jerônimo, 77 anos, também foi atingido pelos golpes e não resistiu aos ferimentos. Já a mãe da médica, Salvadora Robin Prado Jerônimo, 70 anos, que levou uma marretada no rosto, continua internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva da Unesp de Botucatu.
A prisão preventiva do rapaz foi concedida ainda ontem pela Justiça por conta do histórico de ameaças que ele apresenta contra a ex-mulher. De acordo com o delegado Celso Olindo, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), de Botucatu, Wellington não aceitava a separação, que aconteceu no final do ano passado. Por conta disso, o rapaz estaria fazendo uma série de ameaças e causando vários problemas à ex-mulher.
Segundo o delegado, o acusado já tentou suicídio e também é acusado de provocar um incêndio na casa onde morava com Jane. Além disso, ela o havia denunciado por estelionato, porque ele teria financiado um Astra no nome dela, sem autorização.
“Temos informações de que em setembro do ano passado, ele (Wellington) chegou a cortar a mangueira do botijão de gás e colocar fogo em colchões da casa, onde eles moravam juntos”, conta o delegado.
Olindo informou ainda que, em outubro do ano passado, quando Jane já não morava mais com o marido, ela conseguiu da Justiça uma medida protetiva, que impedia a aproximação de Wellington a menos de 200 metros dela e também de seus pais. Ele também estava proibido de procurá-la no trabalho ou em sua casa.
Mas, segundo vizinhos das vítimas, Wellington ignorava a determinação do juiz. De acordo com uma moradora da rua onde fica a casa onde Jane morava com os pais, o rapaz sempre aparecia para incomodá-la. “A mãe dela sempre reclamava para mim. Ela dizia que ele sempre aparecia e que eles estavam preocupados”, comentou Maria Ercília Albino, vizinha da família.
A falta de vestígios que caracterizam o crime como latrocínio (roubo seguido de morte) reforçam as suspeitas da polícia em apontar o crime como passional. “Não encontramos o quarto revirado, gavetas remexidas, nem sinal de luta”, acrescenta o delegado.
As três vítimas foram encontradas por volta das 16h de quinta-feira, pelo namorado de Jane. Ele tentou falar com a médica o dia inteiro e achou estranho ela não atender os telefonemas. Foi quando resolveu ir até sua casa, onde presenciou a namorada e o pai dela mortos na cama, e a mãe da médica caída na cozinha, ainda com vida.
Conforme o delegado, o acusado pelo crime será indiciado por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio. Segundo ele, a forma como aconteceram as mortes não é comum. No entanto, Olindo diz que já apurou caso parecido em Botucatu, há cerca de cinco anos, quando um rapaz degolou duas tias.
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Cronologia do crime
Botucatu - De acordo com o delegado Celso Olindo, tudo indica que a mãe de Jane foi a primeira vítima a ser agredida. Segundo ele, ao abrir a porta da cozinha, a mulher levou uma marretada no rosto. O impacto foi tão violento, que o óculos que ela usava foi despedaçado. Salvadora desmaiou e deu a impressão ao agressor que havia morrido.
Em seguida, o autor do crime seguiu com a marreta para o quarto do pai de Jane, onde desferiu vários golpes contra o idoso, que não resistiu e morreu ainda na cama. Por fim, chegou ao quarto da médica, onde também não deu chance de reação à vítima.
“Aparentemente, ela foi segurada pelo braço, teve deslocamento da clavícula e, em seguida, o agressor desferiu um golpe de marreta na parte de trás da cabeça. A ação foi tão violenta, que houve exposição de massa encefálica”, detalha Olindo.
A polícia acredita que o crime tenha ocorrido na madrugada do dia 1, já que as três vítimas foram encontradas de pijama e já em estado de rigidez.
Os três foram encontrados por volta das 16h pelo namorado da médica, que tentou, por várias vezes, durante o dia, falar com a namorada. Ele, então, resolveu ir até a casa de Jane, onde, por cima do muro, viu o veículo da moça estacionado na garagem.
Estranhando a namorada estar em casa, já que ela faria plantão no hospital de São Manuel, pulou o muro e percebeu sangue escorrendo por baixo da porta da cozinha. Ao abri-la, viu Salvadora caída no chão, sangrando. Ao entrar nos quartos, se deparou com a namorada e o pai dela mortos sobre a cama.
A marreta usada no crime foi encontrada pela polícia enrolada no jaleco da médica, que estava sobre uma poltrona no quarto.