Talvez a sobrevivência do vinil se deve à incrível capacidade que ele teve em se adaptar a cada novidade. Não foi diferente com os seus admiradores. Entre prós e contra de cada ‘invenção’, os amantes da música se dividem entre suas preferências e acabam usando de tudo.
Há, por exemplo, quem defenda a primazia do som do vinil sobre o do CD, como é o caso do aposentado Luiz Arnaldo Carrer. “Eu gosto demais do vinil porque o som é bem mais puro”, diz.
Da mesma opinião compartilha o administrador Luís Freitas. “A qualidade do som do vinil é insuperável. Com um bom equipamento, mesmo com toda tecnologia, você não consegue atingir a mesma qualidade de som de um bom toca-discos”, defende. Apesar disso, Freitas, em função da praticidade, já digitalizou grande parte de seus discos. “É uma maneira de ouvi-los no rádio do carro ou levar para uma festa”, explica.
Já para o estudante de jornalismo, Vinícius Ramires Alvares, não existem piores nem melhores. “Cada um tem suas características e seu espaço no mercado reservados. Eu pego músicas na Internet sem parar, acredito que essa seja uma democratização valiosa, mas as vantagens culturais de escutar vinil são também, para mim, inestimáveis”, diz.
Para o estudante, o glamour do vinil está no seu valor contextual e no contato físico estabelecido com a música. “A praticidade do CD é incontestável, mas o fetiche causado pelas capas, os encartes, o fato de você procurar o disco na sua coleção, te colocam em um momento integral de dedicação à música”, completa.
Percalços
Já existem no mercado alguns aparelhos capazes de passar o som do LP para CDs ou, diretamente, para os tocadores de MP3. Mas para aqueles que não podem se dar ao luxo de tal investimento, a manutenção das vitrolas tornou-se uma tarefa árdua para os ouvintes de vinil.
O jeito é fazer como o ‘seo’ Carrer. Para não ter perigo de ficar sem ouvir seus discos, deixa à mão suas três vitrolas. “Se não encontro agulha para uma delas, o jeito é apelar para outra. A única coisa que não fico é sem ouvir”, ensina.