Desde sua gênese, o ser humano necessita da figura do herói, do vilão, da tragédia, da comédia para que assim possa exercitar suas “mil faces”. E tomando por base essa “necessidade humana”, a mídia, com seu poder ideológico, corriqueiramente lança fatos, acontecimentos que nos façam vestir nosso “estoque de máscaras”, objetivando uma maior aderência dos telespectadores aos seus jornais.
O caso da menina Isabella não foi diferente. Todos os dias desde a sua trágica morte (há cerca de um mês) tanto a mídia escrita, quanto a televisiva nos “bombardeiam” com laudos, detalhes que muita das vezes nos parecem “sem sentido” ou desumanos. Com isso, criou-se um sentimento de revanchismo por parte de nós, brasileiros.
Mas e o que dizer das pessoas que morrem por causa da fome, da miséria? Seriam estas menos dignas de nossa atenção? Será que já estamos tão acostumados com esse tipo de tragédia que, ao ser retratada na televisão, não gera mais audiência?
Enfim, nesse “espetáculo diário” que é a nossa vida devemos sim exercitar nossa “dramaticidade natural”, mas não com fins sensacionalistas para que assim não tornemos casos como estes meros geradores de audiência ou palco para nosso espetáculos.
Nesses “tempos apocalípticos”, não façamos nós o papel de carrasco, juíz ou misericordioso. Sejamos pura e simplesmente a personagem principal do roteiro que a nossa própria vida se encarregará de escrever.
Mayara Cruz Teixeira - R.G : 46.761.902-5