Todos os dias, ao menos dez pessoas buscam o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para entregar seus animais de estimação. A história é sempre a mesma. Os donos chegam com os cãozinhos alegando suspeitar que os animais estão com problemas de saúde e temem que acabem transmitindo alguma doença para a família.
O centro acolhe este animal e, após avaliação veterinária, se ele estiver sadio, é colocado para adoção. Caso contrário, se estiver com sintomas de leishmaniose, por exemplo, são sacrificados. Atualmente, o CCZ mantém 28 cães e 37 gatos, todos esperam algum lar adotivo.
Na semana retrasada, uma lei sancionada pelo governador José Serra proibiu a eutanásia em animais sadios no Estado. De acordo com o Luís Ricardo Paes de Barros Cortez, diretor do CCZ, a unidade já evitava chegar a este ponto.
Estimular a posse responsável e incentivar a castração dos animais são algumas das ações do CCZ para evitar o abandono de cães e gatos. Só no ano passado, foram adotados 343 cães no centro.
Porém, Cortez ressalta que o número de cães e gatos abandonados é alto. Além dos que são deixados no CCZ, muitos são deixados ao léu.
“A sociedade produz mais animais do que pode cuidar. Muitos cachorros são colocados na rua ou nascem nela. É muito comum uma pessoa aceitar um animal e depois não conseguir dar conta. Assim, vamos tendo um número cada vez maior de cães abandonados. E quando eles chegam aqui, temos que resolver”, pondera.
Para garantir que o animal que está sendo entregue não sofreu maus-tratos, o CCZ recolhe dados pessoais do responsável e instala uma espécie de inquérito. Se procedimento constatar que o cão ou gato foi vítima de negligência ou violência, por exemplo, o antigo dono pode pagar multa que chega até R$ 1.500,00, dependendo da gravidade dos maus tratos.
“Ao saber deste procedimento, muitos acabam desistindo de abrir mão do animal”, explica Cortez. Porém, para garantir que o bichinho não vá ser prejudicado, funcionários do centro fazem visitas de inspeção na residência onde estão.
Assim que o animal é acolhido no CCZ, ele passa por uma avaliação veterinária. Se apresentar os sintomas de leishmaniose, são encaminhados para a eutanásia. Pelos cálculos do diretor, até 80% dos cães que os donos levam ao centro não estão saudáveis.
Cortez ressalta que o exame clínico para leishmaniose, realizado nos cães que são deixados no local, é feito de forma criteriosa por profissional altamente capacitado.