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Partidos exigem esclarecimento de Paulinho

Por Folhapress | Com Agência Estado
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - As suspeitas de envolvimento do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, com esquema de desvio de dinheiro do BNDES em investigação da Polícia Federal provocam mal-estar entre parlamentares que integram os partidos aliados e que formam bloco parlamentar com o PDT na Câmara. Além do PDT, que amanhã cobrará explicações do parlamentar, outros partidos exigem esclarecimentos.

As revelações da Operação Santa Tereza da PF surgiram em meio às articulações de alianças dos partidos do bloco - PDT, PSB, PCdoB, PMN e PRB - na disputa eleitoral pelas prefeituras em outubro. O próprio Paulinho, que foi líder do bloco parlamentar na Câmara, era um dos nomes cotados como pré-candidato à prefeitura de São Paulo.

“Essas acusações dificultam a ação do bloco”, afirmou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). “Seria elucidativo se ele (Paulinho) pudesse ter uma conversa conosco.” Delgado considera natural que Paulinho se explique. “Ele deve dar uma satisfação não só ao partido (PDT), como para o bloco ou para a Câmara. Não sei qual será a forma que ele vai dar as explicações”, disse Delgado.

O deputado do PSB prevê que haverá um momento em que os esclarecimentos de Paulinho se tornarão necessários porque há conversas em curso entre os partidos do bloco já levando em consideração nomes para disputar as eleições.

Amanhã Paulinho vai se reunir com a Executiva Nacional do PDT e as bancadas do partido na Câmara e no Senado para falar das citações de seu nome nas investigações da Polícia Federal.

O caso

Paulinho foi filmado na Câmara pela PF ao lado de seu ex-assessor João Pedro de Moura, que seria, segundo a polícia, um dos nomes do suposto esquema de desvio de dinheiro do BNDES. Moura foi um dos presos pela Operação Santa Tereza. Nas escutas telefônicas da PF, o grupo fala da “parte de Paulinho”.

Paulinho diz saber pouco

O deputado Paulo Pereira da Silva disse ontem saber “menos do que os jornalistas” sobre a investigação da Polícia Federal que atribui a ele um plano para tentar atingir o prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP) e que detectou um suposto esquema para fraudar o BNDES.

“Eu pedi aos meus advogados para, assim que aparecesse meu nome nos jornais, eles fossem até a Polícia Federal. Infelizmente, não deram a eles o que deram a vocês. Tive de tirar fotografia das páginas, 39 no total. Nelas, o nome de Paulinho é citado uma vez e “PA” uma vez. Portanto, eu sei menos do que vocês sobre o caso.”

Essa foi uma das raras declarações de Paulinho sobre as investigações da Operação Santa Tereza, durante a festa da Força Sindical pelo 1º de Maio, na manhã de ontem, em São Paulo. Quase sempre, ao ser questionado pelos jornalistas, ele se negava a responder. “Não vou falar de coisas que eu não sei.”

Relatórios da PF entregues à Justiça descrevem as articulações de Paulinho para tramar “um escândalo” a fim de atingir Kassab, candidato à reeleição, e seu então secretário de Trabalho, Geraldo Vinholi - que deixou o cargo em 7 de março.

Desagravo

O evento da Força acabou se transformando em um ato de desagravo ao deputado e ex-presidente da Força Sindical.

O ministro do Trabalho, Carlos Luppi (PDT), foi o principal porta-voz da defesa de Paulinho: “O que há de fato até agora? Alguém ouviu falar de alguém que talvez seja o deputado Paulinho. Ouviu o quê? Qual é a prova? Temos que tomar cuidado para não virar um tribunal de inquisição, a gente, sem prova, sem documento, acusar pessoas. Por enquanto, é ilação.”

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