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SP inaugura ‘academia’ do câncer

Por Fábio Zambeli | Da APJ, especial para o JC
| Tempo de leitura: 5 min

Fruto de um modelo pioneiro de gestão e resultado de investimentos estimados em R$ 270 milhões, o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo abre hoje as portas com a ousada missão de transformar-se no mais moderno pólo de atendimento, e, sobretudo, de pesquisa e prevenção oncológica da América Latina.

Sediado no antigo prédio de 28 pavimentos do Instituto da Mulher, na avenida Dr. Arnaldo, no bairro de Cerqueira César, na Capital, o hospital tem como meta primordial triplicar a oferta de leitos e as cotas de quimio e radioterapia - cuja capacidade máxima estará operando em 2009.

O governo do Estado e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), responsáveis pelo controle do empreendimento, planejam atender a doentes de todas as regiões do interior, multiplicar o conhecimento acadêmico e técnico sobre a doença e desafogar os atuais núcleos especializados que hoje funcionam em Jaú e Barretos. Tudo isso com o ‘selo’ de qualidade do corpo clínico do Hospital das Clínicas.

“O intuito é que o instituto sirva como pólo de saúde pública do câncer e vai colaborar com todos os institutos, públicos e privados. Como? Vai colaborar com os programas de prevenção, com os programas de treinamento de recursos humanos para estes institutos. A colaboração vai ser também na área assistencial. De poder receber pacientes e introduzir medicamentos novos no tratamento do câncer. Em colaboração com toda a rede do SUS no Estado de São Paulo”, afirma o diretor do instituto, Giovanni Cerri, em entrevista exclusiva à Associação Paulista de Jornais.

Os números impressionam. Quando estiver em pleno funcionamento, o novo hospital realizará por mês cerca de 1.500 internações em seus 500 leitos, 33 mil consultas ambulatoriais, 1.300 cirurgias, 6.000 sessões de quimioterapia e 420 de radioterapia. Haverá, no total, 124 ambulatórios médicos. Para bancar esta estrutura, dotada de equipamentos digitais, o Estado desembolsará R$ 200 milhões anuais em custeio.

A expectativa é que entre 2.500 e 3.000 profissionais estejam mobilizados na unidade, cujo foco na pesquisa será voltado inclusive para experimentos com fármacos que possam revolucionar o combate à doença e impedir o surgimento de tumores.

“Uma das grandes metas deste instituto é criar recursos humanos na área de saúde especializados para o tratamento do câncer. Não só para o Estado de São Paulo, mas para o País inteiro”, diz Cerri, que é professor titular da Faculdade de Medicina da USP.

Ele avalia que a criação do instituto, denominado ‘Octavio Frias de Oliveira’, é preponderante em um cenário de avanço da expectativa de vida do brasileiro, em que o câncer faz 100 mil novas vítimas somente no território paulista.

“É a segunda causa de mortes no Estado hoje e a tendência é que se transforme na primeira em algumas décadas. Por isso temos que olhar para o futuro”, sustenta o diretor.

Inicialmente, o novo instituto irá oferecer atendimento ambulatorial em oncologia clínica e ginecológica, além de quimioterapia e 12 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Também entrarão em operação na primeira fase o pronto-atendimento e todas as unidades de apoio, como nutrição, vestiários, refeitório, central de almoxarifado, farmácia e rouparia.

Até o final deste ano, está prevista a ampliação do atendimento ambulatorial e início das internações clínicas e cirúrgicas. O aparato será montado de modo a garantir desde o diagnóstico até a reabilitação dos pacientes.

Vitrine

Entre as vitrines do projeto do Instituto do Câncer está o desenvolvimento de estudos com uma técnica de diagnóstico por imagem chamada ‘molecular imaging’, que visa monitorar alterações moleculares dos tumores e até permite identificar predisposição para o desenvolvimento da moléstia.

A acessibilidade aos medicamentos é também uma preocupação do governo estadual em bancar a iniciativa. Com o esforço coletivo no desenvolvimento de fármacos e busca de novas terapias, a Secretaria do Estado da Saúde estima tornar mais barato o tratamento, diminuindo os custos para a esfera pública e dando mais oportunidade ao paciente de combater a doença com remédios mais baratos.

Difusão

O presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, Antônio Carlos Lopes, acredita que a iniciativa trará ganhos para a população por contar com um tripé essencial para o serviço médico: pesquisa, ensino e extensão à comunidade.

“É preciso que haja realmente investimento, equipamentos e alta tecnologia para que se dê uma resposta rápida ao paciente. Neste caso, da oncologia, há uma carência de recursos e hospitais”, disse Lopes, que é professor da Unifesp.

Para ele, entretanto, é fundamental que o novo instituto promova intercâmbio constante com profissionais e técnicos dos mais diversos pontos do País para disseminar a informação e as inovações no combate e prevenção ao câncer em regiões menos favorecidas.

“A medicina deve servir a comunidade. E quando se trata de dinheiro público, é preciso que fique claro que não é nada feito gratuitamente. O cidadão paga os seus impostos e deveria receber em contrapartida um atendimento compatível. É isso que se espera de uma iniciativa como esta. Propagar o conhecimento e melhor a resposta aos usuários da rede pública. E, a exemplo do que já ocorre com o Incor, acredito que esta proposta do governo estadual com o Instituto do Câncer pode ser bem-sucedida”, diz o especialista.

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Brasil

Além do Instituto do Câncer (IC) paulista, o país já conta atualmente com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão do Ministério da Saúde, vinculado à Secretaria de Atenção à Saúde, que é responsável por desenvolver e coordenar ações integradas para a prevenção e controle do câncer no Brasil.

O organismo, sediado no Rio de Janeiro, desenvolve ações são de caráter multidisciplinar e compreendem a assistência médico-hospitalar, prestada direta e gratuitamente aos pacientes com câncer, no âmbito do SUS, e a atuação em áreas estratégicas como a prevenção e detecção precoce, bem como a pesquisa a formação profissional.

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