Ontem completou um mês que a imagem do Sagrado Coração de Jesus, na Matriz de Santo Antônio, “chorou” em Macatuba ( 46 quilômetros de Bauru). As procissões de fiéis e de curiosos diminuíram e a imagem não verteu mais o líquido avermelhado tido como sangue e posteriormente apontado como indefinido .
Mas a ‘herança’ deixada pelo episódio ainda atormenta a mente coletiva da população que associou o fenômeno a uma tragédia ocorrida há 24 anos. Quem sofre com a ‘herança’ é o padre José Raimundo de Carvalho, pároco há oito anos na igreja Matriz de Santo Antônio. Ele explica que em abril de 1983 a imagem do Sagrado Coração de Jesus verteu óleo e duas semanas depois o padre José Cursino foi brutalmente assassinado.
Curiosamente as imagens que verteram óleo e o líquido avermelhado eram do Sagrado Coração e a população associou o fenômeno ao fato negativo. “ Isso não é bom para mim. Embora eu mantenha meu equilíbrio, acaba chateando. As pessoas chegam e falam para eu ficar tranqüilo, mas eu acredito que atrapalhe o trabalho que estamos desenvolvendo junto a comunidade.”
Carvalho ressalta que pediu aos moradores da cidade para não fazer a associação. “A gente não consegue obstruir completamente. Parece que a população começou a entender que esse assunto chateia.”
O pároco frisa que embora a imagem não tenha vertido mais o líquido avermelhado, as pessoas continuam procurando a igreja em busca de milagres, para satisfazer a curiosidade e com intuito religioso. “Não limpamos a imagem e temos recebido excursões, em menor número, de cidades da região e de municípios mais longe”.
Ele diz que após a imagem ‘chorar’, a freqüência de pessoas na igreja aumentou em 50%. “Na semana seguinte, as missas concentraram até três mil pessoas. Esse número já diminuiu para mil, mas a freqüência nos dias normais, fora dos horários de missa, continua acima do normal.”
O padre observa que o “fenômeno” fez com que mais pessoas conseguissem alcançar graças. “Nesse período tem vindo muitas pessoas me dizer que receberam bençãos, milagres. Uma senhora afirmou que o filho dela estava enfermo e melhorou com a oração feita diante da imagem. A população relata que recebe bençãos. Eu, pessoalmente, não quero tocar muito nesse assunto”, diz. Hoje, a igreja realiza uma missa de Pentecostes ás 19h30. “Devo fazer uma referência ao fenômeno”, adiantou.