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Após 30 anos de guerra civil, bauruenses ajudam a reconstruir Angola

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Após 30 anos de guerra civil, uma geração inteira destruída em batalhas e cidades inteiras devastadas, Angola, país africano com mais de 13 milhões de habitantes e fontes abundantes de petróleo e diamante, está sendo reconstruída com ajuda de bauruenses. Empreendedores como os irmãos Theodoro, que investem na construção civil e no mercado de imóveis e transporte, o consultor empresarial Francisco Rodrigues de Freitas Júnior, que trabalha para uma holding internacional, destacam as oportunidades do país africano.

Os gêmeos Sérgio e Celso Theodoro cresceram no Jardim Monlevade e estudaram em universidades de Bauru. Há cerca de 10 anos, o técnico em pontes e estradas Sérgio Rubens, que na época trabalhava para a construtora Odebrecht, fez sua primeira viagem a Angola. Lá, enxergou todo o potencial da nação em reconstrução. Cinco anos depois, fixou residência e levou toda a família.

Seu irmão, Celso Roberto, técnico em máquinas e motores, atualmente dirige o projeto de construção da maior cervejaria do país. Os dois, que também são formados em antropologia por uma universidade espanhola, são sócios de um empreendimento que atua na área de transportes, aluguel e venda de carros e se preparam para investir U$ 30 milhões na construção de prédios em várias províncias de Angola até o final do próximo ano.

Com a paz mantida desde 2002, o governo de Angola incentiva o investimento estrangeiro na reestruturação do país. A oportunidade de financiamento com baixa taxa de juros é o diferencial apontado por Sérgio, que mesmo estrangeiro, conseguiu acesso às linhas de crédito angolanas. “O país é um grande canteiro de obras. Pólos industriais inteiros estão sendo erguidos”, relata Sérgio. A esposa e as filhas dele também investem em Angola. Elas são proprietárias de uma importadora de calçados que, segundo ele, só em 2007 negociou mais de cinco mil pares de sapatos no país.

Celso ainda não se fixou na nação localizada na costa oeste do continente africano, mas não esconde que a possibilidade de permanecer definitivamente por lá é grande. “O brasileiro tem uma visão da África meio pejorativa. Sempre relacionada à fome, destruição. Nós encontramos o resquício de guerra, mas também muita movimentação, um povo solidário e que adora brasileiros”, conta. “Pelo fato de ser afro-brasileiro, senti uma integração instantânea. Me sinto tão bem quanto aqui”, revela Sérgio.

Freitas Júnior, que trabalha numa holding composta por empresas de vários países, passou boa parte dos últimos meses em Angola. Ele conta que a realidade encontrada nas ruas ainda reflete os horrores da guerra recente. “O motorista da empresa onde eu trabalho ficou 15 anos na guerra e perdeu muitos familiares. Outro, teve que deixar Angola”, relata. “É muito triste. Nas cidades você encontra pessoas mutiladas, regiões onde ainda faltam água e energia elétrica. Lá ou se é rico, ou miserável”, pondera. Porém, ele destaca que Angola é muito rica. “É um país que promete muito. Eles estão atraindo empresas e profissionais qualificados porque lá o dinheiro não é problema. O que precisam é de mão-de-obra especializada”, aponta.

O consultor ainda relatou que empresas de Bauru do segmento editorial, de semi-jóias e de utilidades domésticas descobriram o potencial angolano e investem no país. “Lá existe todas as oportunidades possíveis. Um crescimento anual de 17%, que atrai investidores do mundo todo”, diz Freitas Júnior.

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