Botucatu - As investigações para o esclarecimento do duplo homicídio de pai e filha no Jardim Continental, em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), no feriado do Dia do Trabalho, prosseguiram ontem no sentido de pôr fim a algumas dúvidas.
Na cena do crime, o delegado titular da DIG Celso Olindo mantém a convicção de que estava Wellington Gomes da Conceição, até então o principal suspeito de matar a marretadas a sua ex-mulher, a médica Jane Amanda Robin Jerônimo, 28 anos, o pai dela João Jerônimo, 77 anos, e ainda ferir gravemente a mãe da médica, Salvadora Robin Prado Jerônimo, 70 anos. A sobrevivente permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Pronto Socorro do Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu.
Ex-marido de Jane, Wellington cumpre prisão preventiva (30 dias) decretada pela Justiça na última sexta-feira. Durante a tarde de ontem, Olindo interrogou o ex-marido da médica. Segundo o delegado, apesar de negar a autoria das mortes, Wellington permanece como o principal suspeito porque “nos últimos três meses passou a demonstrar instabilidade emocional e bastante agressividade”. De acordo com Olindo, o suspeito demonstrou frieza ao ser interrogado. “Muito frio, ele não esboça qualquer tipo de reação. Mas continua afirmando que estava em São Paulo quando ocorreram os fatos. Ele não tem testemunha disso lá”, explica o delegado.
Sem álibi
O interrogatório de Wellington, se não foi conclusivo para a polícia, serviu para esclarecer alguns fatos que podem estar diretamente ligados com as mortes. Olindo suspeita que Wellington teria tentado forjar um álibi para confirmar que não esteve em Botucatu quando ocorreu o crime (na madrugada de quinta-feira).
O delegado explica que o suspeito ligou para o seu chefe em Botucatu, às 8h do feriado do Dia do Trabalho, quando não estaria em serviço. “Não havia necessidade de ligar para o chefe dele e ele ligou. Dia 1 (de maio) é de folga e ninguém trabalha. Mas mesmo assim ele ligou. Ele não é bobo e tentou forjar um álibi. Não posso afirmar isso com certeza. Mas por que iria ligar para o presidente da cooperativa se não havia necessidade?”, desconfia.
Conforme o delegado, Wellington não conseguiu falar com o chefe dele na primeira tentativa, feita pela manhã. Segundo o delegado, à noite, o suspeito fez novo contato e conseguiu falar com o chefe. “Trataram de assuntos de serviço. Ele (chefe) disse que ‘aconteceu um troço grave aqui e depois a gente conversa. Não eu quero saber o que é’. Diz o presidente da cooperativa que ele chorou do outro lado da linha. Disse que estava na casa da noiva e o chefe pediu para falar com a noiva dele, mas ele (Wellington) não quis deixar”, revela.
O delegado lembra ainda que a médica havia recebido ameaças de Wellington e a separação do casal, definida desde o final do ano passado, era judicial (tramitava em litígio pois Wellington não aceitava o fim do casamento com Jane). “Ela tinha tanto medo dele que entrou com uma medida judicial, que foi decretada pela Justiça, em que ele não poderia se aproximar a menos de 200 metros dela e da família. E nem procurá-la no local de trabalho ou na casa”.
O delegado frisa que o ex-marido de Jane provocou, em setembro do ano passado, um incêndio na casa onde o casal residia, ao lado da residência dos pais, lugar onde as mortes ocorreram. “Ele chegou a tentar colocar fogo na casa. Cortou a mangueira do botijão de gás e colocou fogo nos colchões. A Polícia Militar foi chamada e teve trabalho para dominá-lo”, frisa.
Invasão
Olindo disse que há vários pontos em que o agressor poderia ter acesso à casa da família, porém não está definida a maneira exata. Ao lado, a residência onde Jane e Wellington viveram, permanece desocupada. Em outro ponto, um terreno baldio, dá acesso ao imóvel. Outra forma seria pulando o muro da frente.
O delegado acredita que a abordagem da família ocorreu de madrugada. “Temos a convicção que foi ele e ele chegou de noite já com a intenção de matar todo mudo. Porque ele sabia que, se por acaso fosse descoberto dentro da casa, o pessoal chamaria a polícia e ele seria preso por desobediência”, avalia.
As investigações continuam com a polícia colhendo informações de familiares das vítimas e de outras pessoas. Olindo espera poder contar com informações da mãe de Jane, hospitalizada na UTI do PS do Hospital das Clínicas, vítima de uma marretada no rosto.