Brasília - O faturamento da indústria brasileira cresceu 7,6% acima da inflação no primeiro trimestre do ano na comparação com o mesmo período do ano passado. O número de horas trabalhadas subiu 6%, e o nível de emprego avançou 4,9%, na mesma comparação, segundo dados divulgados hoje pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Em relação ao quarto trimestre, o crescimento nesses três indicadores é o maior dos último cinco anos. Em março, houve queda no faturamento (-0,5%) e do número de horas trabalhadas (-0,3%) em relação a fevereiro.
E a primeira queda após sete meses seguidos de alta no faturamento. Segundo a CNI, essa pausa não deve ser considerada uma “quebra de tendência”, mas apenas uma “acomodação” devido ao ritmo forte de crescimento.
Já o dado de emprego mostra o 14º mês seguido de crescimento (+0,3%), período em que cresceu 5,5%. Em relação a março do ano passado, o mês apresentou crescimento no faturamento (1,7%), nas horas trabalhadas (3,6%), no emprego (4,7%) e na massa salarial (7,8%).
Por fim, o nível de utilização da capacidade instalada chegou a 82,6% (dado sem ajuste sazonal). O dado com ajuste mostra uma taxa de 83,1%, ante 83% em fevereiro.
A capacidade instalada é o indicador que mede o uso de máquinas e equipamentos das indústrias. Quanto maior ele é, mais as empresas estão perto do seu limite de produção. Nesse caso, há o risco das empresas não conseguirem atender a demanda, o que pode gerar inflação.
Menos no 2º trimestre
O segundo trimestre da indústria terá crescimento menor, segundo a expectativa da CNI.
Segundo o chefe do departamento Econômico da CNI, Flávio Castelo Branco, o crescimento deverá ser menor em função da elevação da taxa de juros pelo Banco Central e da valorização do câmbio.
Ele, no entanto, se disse otimista e previu que, embora num ritmo menor, a indústria continuará crescendo. “As perspectivas para os próximos meses continuam positivas, porque fatores que justificam o ritmo de crescimento da indústria, como a expansão do mercado do trabalho e a renda das famílias, continuam presentes”, afirmou.
Castelo Branco lembrou que o mercado de trabalho aquecido e a melhoria na renda do trabalhador garantem a sustentação do consumo. Além disso, a entidade prevê que a demanda por investimentos vai continuar forte e “a duração do aperto monetário” deverá ser curta. Ele estimou, inclusive, que o cenário positivo poderá levar o Banco Central a interromper o retorno da elevação da taxa de juros anual, a Selic.
O dirigente destacou que a credibilidade internacional que o Brasil alcançou “como país atrativo para investimentos indica que o país vai continuar com a entrada de recursos estrangeiros” Castelo Branco, no entanto, enfatizou que a valorização do câmbio afetará os exportadores, que têm menos lucratividade ao vender com o dólar a preço mais barato em relação real.