O Brasil toma aspectos grandiosos: progride materialmente! Porém, embaixo das pontes, famílias inteiras passam a morar miseravelmente! Agripino, de longa data tornou-se mendigo. O frio era intenso naquela noite e ele foi até a Praça da Sé, o marco zero da metrópole líder do Estado da Federação Brasileira e encostou-se a uma mureta, temendo a polícia: repentinamente, reparou num objeto atirado ao chão. Era um cão de plástico, sem pernas, talvez deixado ali por alguma criança, nas suas mesmas condições de pobreza. Agripino agachou-se e apanhou o brinquedo mutilado, lembrando-se incontinenti de seu maninho caçula, que havia ficado no Estado do Ceará, o Juquinha, que sempre quis possuir um cãozinho de brinquedo, de pelúcia... e que não está mais neste planeta!
Agripino havia tomado umas “talagadas” da “branquinha”. Começou então a falar com o cãozinho de plástico: eu e você... abandonados na sarjeta da vida!
Ficou acariciando o brinquedo mutilado até adormecer. Em seus sonhos, o cãozinho começou então a latir mansamente... Agripino sou o seu maninho Juquinha! Encarnei aqui. Como? Onde você se encontra? Num local, Agripino, onde predomina a solidariedade humana, prestando-nos plena e absoluta assistência, portanto, onde ninguém passa frio, nem fome.
Nas primeiras horas da manhã seguinte, as manchetes dos jornais anunciavam que o Instituto Médico Legal (IML) havia recolhido o cadáver de um mendigo que inexplicavelmente, encontrava-se abraçado a um cãozinho de plástico. Sempre haverá repouso para um coração esperançoso, embora entristecido e Agripino sonhava com a felicidade! Quando o sonho alça o seu vôo para a eternidade!
Arthur Monteiro de Carvalho Netto