Ajudar a manter a cidade limpa exige não só educação, mas persistência do munícipe. Nem gastando muita sola de sapato ele encontrará lixeiras em avenidas como a Duque de Caxias, uma das principais de Bauru. A dificuldade não lhe é peculiar. Atinge inclusive a Nações Unidas, ainda considerada a mais bela via do município.
Da quadra 14 a 34, as lixeiras apenas estão disponíveis no Parque Vitória Régia e na Praça da Paz. Quem não se dispõe a levar consigo o lixo produzido pelo caminho, contribui para entupir bueiros e favorecer as inundações em dia de chuva. Árida, a Duque já não conta com qualquer lixeira em 2,6 quilômetros – nas primeiras 24 quadras.
A situação melhora na avenida Rodrigues Alves, cuja distribuição de coletores de lixo também está longe de ser ideal. No Centro da cidade, entre as quadras 3 e a avenida Nações Unidas, vários deles podem ser vistos. O número poderia ser maior, não fossem os já destruídos. Ainda assim, lixo não falta pelo meio fio. Nas ruas perpendiculares à Rodrigues, com sorte, também é possível encontrar lixeiras.
Mas ao atravessar a Nações, ainda seguindo pela Rodrigues, a avenida volta a ficar “órfã” dos coletores de lixo. A única exceção é mesmo a Getúlio Vargas. Em alguns trechos, é possível encontrar uma lixeira a cada 50 metros. Estão em quase todas as quadras até as imediações da 20, depois somem. Ainda assim, é um exemplo para a cidade que, na melhor das hipóteses, contará no futuro com lixeiras bastante esparsas pelas ruas.
Novas instalações
No máximo 600 delas serão instaladas nos próximos quatro anos. O montante e o prazo constam em termo de permissão assinado em setembro de 2007, quando saiu a empresa vencedora da licitação. De acordo com Mariela Chaves Cerqueira Julião, diretora do Departamento Zôo-Botânico da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), a empresa assumiu a responsabilidade de instalar as 300 primeiras em um ano.
Até ontem, no entanto, apenas 59 delas haviam sido distribuídas. Portanto, em no máximo cinco meses, mais 241 estarão pelas ruas. A Semma indicará a localização de 200 delas, conforme as prioridades da pasta, que privilegiará regiões com maior fluxo de pedestres. “O município não está gastando um real. A empresa vai vender espaço publicitário e arcar com os custos de instalação e manutenção”, explica Mariela.
Ela ainda informa que R$ 5,00 do valor cobrado com as propagandas de cada coletor de lixo serão recolhidos ao Fundo Municipal de Meio Ambiente. Todo mês, a vencedora da licitação faz uma prestação de contas. Somente depois dela assinar o termo de permissão é que a cidade passou a contabilizar a quantidade de coletores de lixo. Antes disso, não há dados.
A despreocupação com a limpeza urbana ainda é possível de ser verificada de outro modo. Pelo que a reportagem apurou, não existe uma rotina de limpeza das lixeiras. Quando funcionários da Semma passam por elas e percebem que estão abarrotadas, recolhem o lixo. Em outros pontos, o trabalho é delegado aos garis contratados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
No entanto, eles fazem a limpeza somente na área em que atuam. A reportagem não incluiu na matéria o Calçadão da Batista de Carvalho porque ele é administrado pela Associação das Empresas do Calçadão (AEC).