Economia & Negócios

‘Segurança financeira é possível’

Dayran Carvalho
| Tempo de leitura: 7 min

Enriquecer ou ter uma vida financeira saudável é uma questão de escolha. Assim como cuidar da saúde, cozinhar melhor em casa, educar os filhos, ter um orçamento bem equilibrado é uma escolha pessoal, um projeto de vida. Esta é a opinião do consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor de vários livros de sucesso, entre eles “Casais inteligentes enriquecem juntos”.

Para Cerbasi, que esteve em Bauru no último dia 25 para proferir palestra na Instituição Toledo de Ensino (ITE), é possível acumular riqueza e qualidade de vida por meio da reflexão sobre as necessidades futuras.

“Qualquer um é capaz de enriquecer sem depender da sorte. A receita é perceber o que é equilíbrio financeiro e buscá-lo”, acredita. Para tanto, é preciso acrescentar a ela ingredientes como força de vontade e foco, aliados à busca de conhecimento sobre quais investimentos poderão propiciar o resultado desejado. “Dar atenção às informações que estão à nossa volta e acompanhar as notícias são fatores importantes no processo de enriquecimento”, recomenda.

Abundância

Essa fórmula para a abundância financeira, garante, é muito simples, já que o conhecimento financeiro está muito mais ligado às decisões do dia-a-dia do que à aptidão com os números. Para tanto, basta que a pessoa gaste menos do que ganha e passe a investir a diferença com qualidade.

Dessa maneira, afirma Cerbasi, se poderá garantir o futuro e fazer com que sua aposentadoria seja uma das fases mais prósperas de sua vida ou, ainda, chegue muito antes do esperado. A proposta, portanto, é de que as pessoas reservem uma determinada quantia para poupar todo mês. “Mas tem que haver disciplina”, atenta.

Segundo ele, o valor não precisa ser alto, mas deve ser suficiente para que ao longo dos anos possa garantir o mesmo padrão de vida da família no futuro. “O ideal é que a pessoa planeje qual montante pretende ter no futuro e quanto precisa guardar para alcançar o valor num determinado espaço de tempo”, orienta. Talvez, o valor mensal possa girar entre 10% e 15% do orçamento.

A dica é: quanto mais cedo a pessoa começar a poupar, menos esforço será necessário no mês-a-mês. O segredo é poupar devagar e sempre; pouco dinheiro, mas de forma planejada, como um hábito. “Trace um plano e siga. Assim, você irá enriquecer naturalmente”, diz Cerbasi.

O consultor garante que os bons resultados e os juros sobre juros, que se multiplicarão ao longo do tempo, servirão até mesmo como estímulo. “Quanto mais o investidor vir seu dinheiro crescer, mais verba ele vai querer colocar ali”, afirma.

A parte mais difícil do caminho é romper a barreira da percepção de que, aparentemente, não se ganha nada poupando todo mês - muita gente acha que está perdendo aquela verba do orçamento mensal.

Segundo Cerbasi, os primeiros cinco anos são os mais trabalhosos, em que o dinheiro demora mais para se multiplicar. No entanto, após este período a pessoa perceberá que está no caminho certo e terá muita segurança.

R$ 1 milhão

O consultor conta que, em países em que a população tem o hábito de fazer poupança, falar em números como R$ 1 milhão é bastante natural. Segundo ele, qualquer trabalhador que poupar, hoje, cerca de R$ 150,00 por mês durante 30 ou 35 anos vai acumular um patrimônio muito próximo disso.

Mas ele frisa que sua proposta gira em torno de um projeto de vida e não de guardar dinheiro para comprar coisas - a menos que isso lhe garanta uma boa renda. “Quem guarda dinheiro por um tempo para conseguir objetos desejados não está poupando para a vida. Isso se chama postergação de consumo”, aponta.

Segundo Cerbasi, o número de pessoas com sonhos milionários e que buscam sua realização independente da classe social em que nasceu, gira em torno de 2% . “É este pequeno número que segue o pensamento de, aos poucos, alcançar uma fortuna, viver da sua renda (o que garante seu padrão e protege seu patrimônio) e deixar o montante para os filhos”, fala.

“No Brasil, as pessoas ainda não estão acostumadas a pensar que se pode ter um patrimônio milionário com atitudes simples, como poupar um quarto do salário mínimo. A maioria, no máximo, junta dinheiro para comprar o que quer”, diz. O vício de gastar tudo o que ganha, o desprezo pelos valores e o aspecto cultural estão entre os problemas mais comuns que impedem a sociedade brasileira de poupar, opina o consultor.

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Ponto zero

Em que momento a pessoa está no ponto zero, prestes a dar os primeiros passos rumo ao equilíbrio financeiro? Quando se possui o equivalente a três meses do seu consumo mensal poupados, explica o consultor financeiro Gustavo Cerbasi.

Ele exemplifica a situação da seguinte maneira: quem tem R$ 2 mil de gastos mensais só estará pronto para buscar o equilíbrio quando possuir R$ 6 mil guardados.

Para o consultor, este montante não deve ser encarado como uma poupança, mas como uma reserva emergencial. “Essa pessoa tem o mínimo de reserva de emergência, que dá um fôlego numa situação de perda de emprego, de doença na família, entre outros”, afirma. “Somente a partir deste dinheiro é que o indivíduo pode começar a pensar em poupar para a vida e fazer investimentos”, garante.

Cerbasi conta que apenas 10% a 15% da população brasileira tem uma vida financeira equilibrada. Segundo ele, isso deve à falta de educação financeira que deveria existir nas escolas e no próprio seio familiar.

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Equilíbrio entre renda e despesas

Engana-se quem acredita que ter uma vida financeira equilibrada é consumir, mensalmente, o mesmo tanto que ganha. Até esta pessoa, que possui controle sobre seus gastos, está muito distante do equilíbrio financeiro, afirma o consultor financeiro Gustavo Cerbasi.

Para ele, o equilíbrio financeiro não deve ser pensado em âmbito mensal e, sim, em tempo de vida. Este equilíbrio só é atingido quando a pessoa planeja manter seu mesmo padrão a vida toda, não só no período em que trabalha.

“Não existe equilíbrio na vida financeira de uma pessoa que, simplesmente, gasta tudo o que ganha, afinal, nossa carreira é limitada. Você não vai trabalhar até os 100 anos de idade, então, a carreira é mais curta do que nossa vida”, atenta.

Sob esse ponto de vista, o salário não deve ser visto como meio de pagar as contas do mês e, sim, da vida. O equilíbrio financeiro está na pessoa que paga todas as contas previstas no orçamento mensal e, ainda, consegue reservar a verba que gostaria de poupar para o futuro. “Isso é equilíbrio”, define Cerbasi.

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Quem é

Gustavo Cerbasi é mestre em administração e finanças pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA/USP), formado em administração pública pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com especialização em finanças pela Stern School of Business - New York University e pela Fundação Instituto de Administração (FIA).

Leciona em cursos de pós-graduação e MBAs pela Fundação Instituto de Administração, além de diversos cursos ministrados in company. É sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro.

Com experiência prática e acadêmica em finanças dos negócios, planejamento familiar e economia doméstica, é também autor dos livros “Dinheiro - Os Segredos de Quem Tem”, “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos” e “Filhos Inteligentes Enriquecem Sozinhos” pela Editora Gente. É colunista da revista Você S/A, do jornal Gazeta Mercantil, do Transnotícias / Rádio Transamérica e colaborador de diversos outros veículos de mídia impressa, televisiva e Internet.

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