Economia & Negócios

Diferenças entre poupar e não poupar

Dayran Carvalho
| Tempo de leitura: 2 min

O projeto para a conquista da riqueza pessoal tem limites, afirma o consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor de vários livros de sucesso, entre eles “Casais inteligentes enriquecem juntos”. Segundo ele, esses limites se evidenciam quando se pesa o que é sonho e o que é obsessão.

Isso significa que, embora o enriquecimento financeiro deva ser focado, os outros objetivos da vida também devem estar acontecendo, ou seja, a pessoa tem que se dedicar ao que gosta, ter amigos, vida social, enfim, desfrutar de vários momentos que também implicam em qualidade de vida. Segundo Cerbasi, poupar demais pode ser tão perigoso quanto não poupar.

Enquanto, o não poupar oferece um prazer maior no presente e pode colocar o indivíduo em uma situação difícil no futuro, o poupar demais pode desencadear um processo depressivo, na medida em que se sacrifica o presente e, quando chegar no futuro, poderá não ter mais saúde, amigos, enfim, poderá não estar feliz mesmo com aquele dinheiro todo.

Isso torna relativa a idéia de que reduzir gastos significa cortar supérfluos. “O que é supérfluo para um pode não ser para outro. Talvez alguns prazeres cotidianos, como academia, chocolate e entretenimento, são o que abastecem a disposição e a produtividade de cada um”, exemplifica. “Você até poderá cortar estas coisas, mas sua produtividade poderá diminuir e, conseqüentemente, sua renda também”, completa.

Foco

O consultor orienta que, em algumas situações, pode ser válido a pessoa optar por um carro mais barato ou uma moradia mais modesta para poder garantir prazeres no momento presente. “Esta é uma maneira de cortar gastos sem perder o foco de poupar”, indica.

“O limite entre o supérfluo e o necessário é o bom senso. Não costumo criticar o tipo de coisas que meus clientes fazem com o dinheiro e, sim, o grau de importância que elas dão para cada um deles e suas perspectivas de futuro”, conta.

“Particularmente, considero um grande erro dar atenção maior e prever no orçamento só gastos burocráticos como moradia, alimentação, entre outros. Com certeza, quando esta pessoa tiver algum tipo de problema, ela vai recorrer a atividades que gosta e pode acabar entrando no vermelho”, explica.

Na visão de Cerbasi, os pequenos gastos têm que ser valorizados, reconhecidos e fazer parte do orçamento mensal. “Se as pessoas ficam só na burocracia pessoal, em que tudo gira em torno de acordar, trabalhar e dormir, elas acabam por ter uma qualidade de vida muito mais baixa”, constata.

Para conciliar as diferentes situações, Gustavo Cerbasi sugere que as pessoas dividam sua renda da seguinte maneira: 15% para investimentos com o futuro, 15% para entretenimento (que podem também envolver cuidados com o corpo) e 70% para os demais gastos.

“Dentro destes 70% as pessoas podem fazer o que considerarem importante; alguns gastam com casa, outros com carro, educação, enfim, seja como for, o ‘poupar’ já está garantido e, de certo modo, os prazeres presentes também.”

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