O acidente de segunda-feira - quando uma Kombi dirigida Shoichi Ogihara, 81 anos, foi esmagada por uma carreta, provocando a morte do motorista e deixando a passageira Shigei Ogihara, 66 anos, em estado grave -, despertou dúvidas sobre até quando a pessoa está apta a dirigir. Como o Código de Trânsito Brasileiro não determina uma idade limite, cabe aos médicos avaliar se o motorista idoso ainda possui condições de dirigir sem colocar a própria vida e a segurança dos outros em risco.
Apesar de ser uma ação do dia-a-dia, dirigir é uma tarefa complexa, que depende de coordenação motora, capacidade visual, percepção de espaço e reflexos rápidos. Com o passar dos anos, essas respostas do corpo humano vão perdendo a agilidade. Além disso, o condutor idoso é mais propenso a usar medicamentos que influenciam a direção, como calmantes e são mais suscetíveis a doenças.
Por conta destes fatores, os motoristas que vão renovar suas Carteiras Nacionais de Habilitação (CNH) a partir dos 60 anos, passam a realizar os exames médicos de três em três anos. Para condutores mais jovens, o exame é de cinco em cinco. De acordo com o delegado Adib Jorge Filho, da 5ª. Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), esse intervalo pode ser ainda mais curto. “Fica a critério do médico examinador”, observa.
Problemas de visão
André Hamada, médico oftalmologista e de medicina do trânsito, a partir dos 60 anos, problemas visuais, cardíacos, de pressão e nos membros inferiores e superiores, como artroses, passam a ser mais freqüentes. “E se o condutor não preencher os requisitos mínimos de avaliação, que são os mesmos para qualquer idade, não é liberado”, destaca.
Entre os problemas mais comuns, mas que acabam impedindo o idoso de voltar ao volante, está a perda de visão, principalmente por conta da incidência de catarata. “Em alguns casos, os motoristas estão com o grau do óculos defasado. Em muitos casos, se ele se tratar e passar novamente por avaliação, pode ser liberado para a direção”, explica o médico.
Se o condutor preencher os requisitos mínimos, como 70% de visão final nos dois olhos, tonacidade muscular suficiente, percepção e reflexos rápidos, pode continuar dirigindo anos a fio. O autônomo aposentado Wilson Tavares, 67 anos, destaca que dirige há 47 anos e não pretende parar. “Enquanto tiver condições, vou dirigir. Até agora, não tenho dificuldade nenhuma nas ruas”, diz. Para ele, a independência é o melhor benefício de continuar dirigindo. “Não preciso que ninguém me leve. Vou sozinho e não incomodo ninguém”, garante.