De acordo com informações do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em 2006, São Paulo contava com 1,2 milhão de condutores com mais de 60 anos. E esse número tende a aumentar, com o envelhecimento da população e a melhora da qualidade de vida da terceira idade.
O médico José Montal, da direção científica da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), destaca que o idoso é o grupo etário que menos causa acidentes. “Em comparação com outras faixas, é o que dirige com mais responsabilidade. O idoso adota um comportamento seguro, conduz dentro do limite de velocidade, mantém o carro sempre em boas condições, escolhe horários com pouco trânsito para dirigir, além de evitar rodovias”, enumera.
Montal destaca que dirigir é importante para o idoso. Ele mantém a sua independência e estimula a sua vida social. “O carro é uma ferramenta fantástica para motoristas com mais de 60 anos. Ele inclui o idoso e, para muitos, ficar sem o veículo é a morte social”, avalia.
Mas o médico também pondera que a idade traz dificuldades para o motorista. “Por exemplo, fazer conversões à esquerda. É uma manobra que exige que o motorista preste atenção em uma série de aspectos”, observa.
A falta de visibilidade durante a noite também prejudica os idosos. “Principalmente por conta de patologias como catarata, degeneração macular ou problemas relacionados ao diabetes”, explica Montal. Por conta disso, os médicos podem restringir os idosos, liberando a condução somente até o pôr-do-sol ou vetando seu tráfego nas rodovias.
Além disso, Montal destaca que as vias não estão preparadas para receber motoristas com mais de 60 anos. “O número de condutores nestas faixas etárias é cada vez maior e as ruas e rodovias não estão preparadas para as necessidades deles”, afirma.