Polícia

Trio mantém vítima refém por 2h30

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Uma professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru ficou duas horas e meia em poder de três assaltantes na noite de ontem, após ser rendida ao estacionar seu Ford Ka na garagem de sua residência, no Higienópolis. Depois de rodar no carro com eles pela cidade, ela foi liberada por volta das 20h30 sem ferimentos e voltou para casa de mototáxi, como os criminosos mandaram. A bolsa que ela carregava e o veículo foram levados.

Bastante nervosa, a vítima não soube informar à polícia o local onde foi deixada e nem a identificação da motocicleta que a levou para casa. Segundo a professora, que preferiu ter sua identidade preservada por temer represálias, dois homens brancos tomaram o volante de seu Ford Ka quando ela chegava em sua residência, às 18h.

Eles obrigaram a mulher a permanecer deitada no banco traseiro do automóvel e se apoderaram de sua bolsa, que continha R$ 20,00 em dinheiro, documentos pessoais, talões de cheques e cartões bancários. No entanto, eles não exigiram senha para sacar valores no caixa eletrônico.

Em seguida, os ladrões percorreram vários bairros da cidade com a vítima deitada no banco traseiro do carro e chegaram a parar algumas vezes. Em dado momento, um terceiro homem, negro, também entrou no carro.

“Eles pararam em casas de conhecidos, conversaram muito e eu ouvia barulhos, como se eles estivessem colocando sacos dentro do carro”, lembra a mulher. No trajeto, os homens teriam percorrido trechos de uma rodovia e parado em matagal. “Nesta hora, eu fiquei apavorada. Achei que ia morrer”, revela.

A professora ressaltou que não sofreu agressões durante as duas horas e meia em que permaneceu refém dos assaltantes, mas conta que rezou muito e chegou a beijar a mão de um deles, que a vigiava no banco de trás. “Estava deitada com a cabeça no colo dele e, depois que fiz uma oração, acabei beijando a mão dele. Eram todos rapazes de uns 20 anos, mas estava com muito medo”, diz.

Eram aproximadamente 20h30 quando o Ford Ka parou em frente a uma construção. “Tinha fogo para iluminar o lugar e uma mulata magra, que disse se chamar Cíntia, me recebeu. Ela pegou na minha mão, falou muito sobre religião, e disse que nada me aconteceria”, recorda-se.

Pouco tempo depois, um dos assaltantes acionou um mototaxista, que levou a professora de volta para casa. O percurso teria sido feito em aproximadamente 30 minutos.

À reportagem, ela enfatizou não saber apontar o local da construção onde foi deixada. “Eu já não tinha condições de pensar. O primeiro lugar que eu reconheci foi a avenida Nações Unidas. Eu nunca tinha andado de moto e estava apavorada”, comenta.

Ainda ontem, policiais militares permaneceram em diligência pelos bairros da cidade na tentativa de localizar os três assaltantes. Por volta das 22h, um suspeito foi detido na quadra 7 da rua José Portela Cunha, na Vila Nova Esperança, e seria apresentado ao Plantão Policial.

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