O lançamento da candidatura Alckmin, pelo diretório municipal do PSDB da cidade de São Paulo, deveria ter encerrado o capítulo de dúvidas e indefinições que vinha sendo vivenciado por políticos e jornalistas em relação à posição do partido na próxima eleição a prefeitura da Capital paulista. Apesar do clima tenso, sobretudo na última reunião, a manifestação do diretório expressou a vontade da militância tucana e da grande maioria dos delegados com votos em uma eventual convenção do partido. Até mesmo os adversários mais ferrenhos desta candidatura admitem essa posição ao anunciarem uma lista de assinaturas, obtida as duras penas, propondo ao partido uma rediscussão da candidatura própria.
Honestamente, não consigo vislumbrar qualquer possibilidade de que se possa chegar a esta situação tendo em vista o sentimento dominante da militância e o posicionamento expresso pelo Diretório Estadual do PSDB, impondo candidatura própria em cidades com mais de 50 mil eleitores. Se por absurdo isso vier a ocorrer entendo que o partido enfrentará, em São Paulo, tempos de grandes dificuldades e desdobramentos que não ficarão restritos a esta disputa eleitoral. A importante aliança com os democratas, que se iniciou na eleição de Fernando Henrique Cardoso, não pode ser argumento suficiente para o esgarçamento das relações entre companheiros, que necessariamente precisarão estar juntos em embates futuros. Esta divisão, alimentada por uns, que no passado tiveram seus interesses e projetos contrariados, e outros, que sonham com uma reeleição garantida, só favorecerá os partidos adversários do PSDB nesta e em outras eleições.
O risco maior, no entanto, é que este desentendimento local contamine o partido como um todo. O clima, que já não é dos melhores, poderá ficar ainda pior. A falta de unidade, que já prejudicou o PSDB nas duas últimas eleições para a Presidência da República, só poderá ser superada se o partido tiver bom senso e tranqüilidade na solução da questão paulistana. A ação anunciada do presidente Sergio Guerra e de outras lideranças partidárias podem ser decisivas, mas precisarão contar com a disposição, inteligência e boa vontade de todos os interlocutores.
O autor, Milton Flávio, é medico, professor da Unesp e ex-deputado estadual-PSDB