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Prevenção reduz alergia no inverno

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

De repente a pessoa tem uma crise incontrolável de espirros, seguida pelo entupimento do nariz e uma coceira forte nos olhos. O ouvido também coça. Muitas vezes acompanhado da garganta e o céu da boca. Só quem tem alergia sabe o tormento que é. Todos os anos, alérgicos enfrentam o final de outono e o inverno como um período de agonia. Mas especialistas garantem que se houver um tratamento de prevenção, os efeitos da alergia tendem a ser bem menos severos.

A alergia é uma resposta exagerada do organismo a um corpo externo. No inverno, o ar seco, a baixa temperatura reúnem as condições ideais para despertar este contra-ataque descontrolado do corpo à poeira, ácaro, bolor e muitos outros gatilhos que existem dentro e fora das residências.

“Nessa época do ano, o ar fica seco e isso realmente aumenta a concentração de poluentes. A mudança climática também torna a mucosa mais sensível e os alérgicos ficam mais suscetíveis aos agentes”, explica o infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa.

O especialista observa que a região de Bauru também contribui para despertar crises alérgicas. “O frio seco característico do cerrado e o início da queimada da cana-de-açúcar acabam contribuindo para isso”, avalia.

Mas o especialista avalia que o alérgico não precisa sofrer tanto. “O paciente pode se preparar para este período. Há tratamentos que podem ser adotados e a pessoa ter um alívio expressivo desses sintomas”, afirma. Homeopatia, imunização, tratamento medicamentoso e acumpuntura podem ajudar preventivamente o paciente com alergia. “Vai de acordo com o olhar de cada médico, mas todo o tratamento tem perspectiva de melhora”, observa o infectologista.

Túlio Bérgamo Cabrini, 12 anos, sofre há 8 de fortes reações alérgicas. A jornalista Eleide Bérgamo, mãe do garoto, acredita que o problema começou quando ele fazia natação. “Acho que o cloro da piscina fez com que ele desenvolvesse rinite alérgica. Chegou a uma situação que ele começava a espirrar e não conseguia fazer os exercícios”, lembra.

A partir daí, Túlio começou o combate à alergia, que acabou também deixando o garoto suscetível à asma. Segundo dados da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatia (Asbai), cerca de 78% dos pacientes com asma têm também rinite alérgica. Para evitar que o inverno seja um calvário, Eleide conta que a medicação de Túlio é reforçada nesta época.

Ele conta que uma das piores conseqüências da alergia é ficar sem as aulas de natação. “Tive que me afastar por causa do cloro”, conta. Mas ainda assim, as crises são constantes. “De manhãzinha e à noite são os piores períodos”, revela. Mas apesar de ter deixado a natação, Túlio encontrou no judô reforço na sua luta contra a alergia. “Me deixou mais resistente. Agora, consigo controlar melhor as crises”, explica.

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Preparação

De acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatia (Asbai), o sistema imunológico das pessoas alérgicas, por características genéticas, considera que determinada substância é tóxica, e que ele precisa evitar a sua entrada. É por isto que algumas pessoas convivem normalmente com agentes que causam a alergia e outras, ao entrarem em contato com esta mesma poeira, podem ter rinite e asma.

E o alérgico não nasce com o problema, mas com a capacidade de passar a ter uma resposta de defesa a uma substância que antes ele até tolerava. O seja, quem tem alergia pode conviver com a tal substância por muitos anos, e desenvolver sintomas bem mais tarde.

E não é só o organismo que deve se preparar. Todo alérgico precisa manter a casa em ordem e se prevenir no inverno. Antes de usar edredons e cobertores, eles precisam ser lavados. Assim como as roupas de inverno. O frio que chega de surpresa é “fatal” para que tem alergia. Além de atiçar a super-reação a agentes externos, vestir aquele casaco que estava no armário desde agosto passado é crise de espirro na certa. Outras medidas devem ser tomadas para evitar que as reações alérgicas tragam mais problemas, como sinusites, asmas e bronquites.

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