Polícia

Universitária é encontrada morta debaixo de viaduto

Por Gabriel Ottoboni | Colaborou Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A professora de inglês e estudante universitária Renata Gonçalves Rodrigues, 26 anos, foi encontrada morta nos primeiros minutos de ontem debaixo do viaduto da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-255), a Bauru-Jaú, na altura do Zoológico Municipal de Bauru. Boletim de Ocorrência (B.O.) elaborado pelo Plantão Policial da Polícia Civil registrou o caso como morte suspeita.

Ela morava no Jardim América e havia saído de casa para ir à faculdade, à Universidade do Sagrado Coração (USC), à noite, onde fazia sua segunda graduação, em pedagogia. Preocupado com a demora da filha em retornar para a casa, o pai de Renata, o cirurgião-dentista Salvador José Rodrigues, saiu para procurá-la e percorreu o trajeto que a moça fazia diariamente entre onde morava e a universidade. Porém não a encontrou.

Preocupado, Rodrigues se dirigiu à Base Comunitária de Segurança Sul, localizada na Praça Portugal, e informou o desaparecimento da filha. Logo, policiais do Policiamento Rodoviário encontraram a moça, já morta, na rodovia, quase embaixo do viaduto, por volta da meia-noite. O carro dela, um Corsa, estava estacionado em cima do viaduto, intacto.

Renata também estava com os documentos pessoais. Não foi encontrado dinheiro com ela, mas a polícia não sabe se ela trazia consigo valores em moeda corrente. A família não tem idéia do que aconteceu, mas descarta a hipótese de Renata ter cometido suicídio.

“Esse não é o caminho que ela fazia. Ela deu carona para alguém ou embarcaram no carro e fizeram ela ir até lá (o viaduto)”, suspeita o pai da moça. Ele também desconhece que sua filha estivesse sofrendo ameaça, depressão ou vivendo qualquer outra situação que possa indicar o motivo da morte.

Porém, a necropsia não encontrou sinais de violência sexual nem de lesões de defesa pelo corpo. O caso será apurado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que abriu inquérito. O delegado Abel Cortez, titular da DIG, informa que todas as hipóteses - homicídio, latrocínio e suicídio - são investigadas.

Arrasado com o acontecido, Rodrigues disse que a filha era uma garota estudiosa e trabalhadora. Formada em letras, Renata ministrava aulas em uma escola de idiomas. Atualmente, ela cursava pedagogia. Ela era solteira e não tinha filhos.

Renata tinha um problema nas pernas que causava dificuldade de locomoção, mas não precisava usar andador ou cadeira de rodas. No velório, o clima era de comoção. De mãos dadas, parentes, amigos e professores rezaram uma missa em sua memória. O enterro da estudante ocorreu no final da tarde, no Cemitério Jardim do Ypê.

Entre os conhecidos e amigos de Renata e na USC as informações durante o dia eram que ela fora vítima de roubo ou de estupro. Havia até boato de que alguém havia visto ela sendo rendida por um homem ao entrar no carro, ainda na faculdade. O estudante de jornalismo Thiago Vendrami, após conversar com professores e colegas próximos de Renata, informou ao JC que eles não acreditam em suicídio.

“Todos aqui dizem que Renata era uma pessoa para frente, religiosa, que não cometeria suicídio. Quem foi no velório diz que a informação é que ela tinha sim sinais de luta nas mãos”, disse após discutir o acontecido com colegas e professores.

De acordo com Vendrami, Renata havia comentado, recentemente, que pretendia fazer uma terceira faculdade, de ciências da computação. Na quarta-feira, elasaiu da faculdade por volta das 22h. Antes, teria passado na biblioteca para pegar livros. Ontem à noite, alguns professores da USC dispensaram seus alunos da aula por luto, sensibilizados pela morte de Renata.

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Laudo

Renata Gonçalves Rodrigues, 26 anos, morreu em função de traumatismo craniano, segundo o médico Ivan Segura, diretor do Instituto Médico Legal (IML). Necropsia apontou fratura da parte posterior do crânio, com perda de massa encefálica. A fratura é compatível com queda do viaduto ou com pancada de objeto como um cassetete.

O corpo não apresentava sinais de violência sexual. De acordo com Segura, que estava de plantão no Pronto-Socorro Central na madrugada de ontem quando o corpo chegou à unidade de saúde, a moça estava devidamente vestida. O corpo também não apresentava lesões de defesa, que pudessem indicar que ela lutou com alguém.

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