Jaú - A ligação dos microtraficantes com o crime organizado é notada, principalmente, em apreensões de drogas de grande volume, como explica o delegado titular da Dise de Jaú, Euclides Francisco Salviato Júnior. “Antigamente, nós tínhamos poucas apreensões de droga de alto volume. Hoje, já vemos que têm traficantes que estão trabalhando com quantias maiores. Tanto que nós temos apreensões sempre de um, dois, três quilos. Chegamos a ter, recentemente, uma apreensão feita pela Dise com quase nove quilos de crack com um único traficante”, frisa.
O titular da Dise lembra ainda que a manutenção dos microtraficantes facilita o distribuidor da droga. “Eles passam e o pequeno é que acaba vendendo.”
Segundo Salviato Júnior, os traficantes estariam ligados à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). “Existe uma distribuição de drogas na cidade que vem por ordem destas organizações criminosas”, confirma.
Para se esquivarem de indiciamento, os traficantes utilizam adolescentes que estão protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“É muito comum eles pegarem adolescentes para guardar a droga. Normalmente, os médios traficantes trabalham durante o dia em alguma atividade lícita e, no final da tarde, pegam a droga com quem está escondendo e agem à noite”, conta.
Outra forma de não se comprometerem é deixar a droga escondida em terrenos baldios ou na residência de pessoas não suspeitas. “O traficante, normalmente, anda com pouca droga. Deixa ela escondida em terrenos, na casa de quem, normalmente, não é investigado. Pessoas que não têm passagem pela polícia”, ressalta.
Os pontos de venda de drogas, segundo a Dise, estão pulverizados em todas as regiões de Jaú. “Antes eram menos pessoas que distribuíam. Hoje está mais organizado e tem mais traficantes que distribuem. Alguns comandam regiões da cidade, tem esta divisão”.