São Paulo - A defesa de Alexandre Nardoni, 29 anos, e Anna Carolina Jatobá, 24 anos, pai e madrasta da menina Isabella, 5 anos, entrarão hoje na Justiça com o pedido de habeas corpus (liberdade) para o casal. A informação foi confirmada pelo advogado Ricardo Martins.
A expectativa é de que a defesa apresentasse ontem o pedido de habeas corpus para Alexandre e Anna Carolina, que agora são réus no processo. De acordo com o advogado Rogério Neres de Sousa, um dos três que representam o casal, a defesa deve se reunir hoje e, com base na decisão do juiz, elaborar o pedido de liberdade.
Eles estudaram a decisão na noite de anteontem, horas depois de o juiz Maurício Fossen, do 2.º Tribunal do Júri de Santana (zona norte), decretar a prisão preventiva do casal, acusado pela morte da criança.
Alexandre e Anna Carolina agora são réus no processo. Os advogados se reuniram ontem para elaborar o pedido de liberdade, com base na decisão do juiz.
Alexandre foi levado para a carceragem do 13º DP (Casa Verde, zona norte), onde há celas para homens com curso superior completo. Ele passou a noite sozinho na cela, que tem cerca de dois metros quadrados e um colchão.
Anna Carolina foi encaminhada para a carceragem feminina do 97º DP (Americanópolis, zona sul). De acordo com informações da delegacia, ela também ficou sozinha na cela, que não tem colchão ou chuveiro.
Madrasta é transferida
Anna Carolina Jatobá deixou por volta das 10h de ontem a carceragem do 97.º DP, onde passou a madrugada, em direção à Penitenciária Feminina da Capital, no Carandiru (zona norte), segundo a Secretaria da Segurança.
Anteontem, a delegada Renata Pontes, que investigou a morte de Isabella, disse que as detentas do presídio ameaçavam se rebelar caso Anna Carolina fosse encaminhada para a unidade. A Secretaria da Administração Penitenciária, responsável pela unidade, não confirma.
Promotor torceu pelo casal
O promotor Francisco Cembranelli, que denunciou formalmente à Justiça o pai e a madrasta de Isabella afirmou ontem no jornal de um canal de TV, que chegou a torcer para que o casal fosse inocente.
“Desde o início da investigação usei a palavra cautela, porque era importante que fosse tudo feito de maneira a apontar o verdadeiro ou verdadeiros culpados. Nunca houve um objetivo do Ministério Público de responsabilizar o casal.
“Entendo o clamor em decorrência da particularidade do crime, que envolve uma criança, inocente, indefesa e o envolvimento comprovado do pai e da madrasta. As pessoas acabam movidas por uma curiosidade, saindo de casa e acompanhando essas operações (da polícia). Peço sempre tranqüilidade à população. As pessoas devem deixar Justiça agir. Pré-julgamentos não são bem vindos. O Ministério Público quer que a lei seja cumprida de maneira constitucional. Não compactuo com essas manifestações”, afirmou o promotor.
Polícia ajudou imprensa
A saída do casal em Guarulhos, será um “presente para a imprensa”. A frase foi dita por um policial da cúpula do GOE (Grupo de Operações Especiais) da Polícia Civil à imprensa que aguardava na rua a saída de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, anteontem.
A palavra “presente” se referia ao fato de que a polícia iria levar os acusados em carros sem a proteção da película protetora, comum em veículos da corporação. Com os vidros claros, cinegrafistas e fotógrafos registraram imagens do casal. O carro onde estava Anna foi seguido.
Além disso, foi possível também que a população na frente do apartamento e da delegacia pudesse ter seus alvos, às vezes muito próximos, para direcionar as hostilizações.