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Cozinhar é para homens e mulheres

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

Uma profissão que conquista pela boca e encanta pela praticidade, beleza (e sabor!) dos pratos, além do toque especial de quem os prepara. Hoje, dia 10 de maio, é comemorado em todo o território nacional o Dia do Cozinheiro, uma ocupação que ganha cada vez mais importância no mercado de trabalho e cursos especializados na área – uma curiosidade que envolve a profissão é que a maioria dos que a abraçou tomou gosto pela coisa pelo simples fato de observar alguém cozinhando ou iniciar a cozinhar por necessidade.

Se no século passado, a profissão era conhecida como um reduto exclusivamente feminino, atualmente os homens ganharam espaço na cozinha, trazendo à tona uma antiga discussão: Quem cozinha melhor, o homem ou a mulher?

Colegas de trabalho em um restaurante de Bauru, Viviane Rosa, 24 anos, e José Adamor, 35 anos, possuem “estilos” diferentes na cozinha. Enquanto ela prefere pratos como todos os tipos de salada, ele admite que sua especialidade é o churrasco. Salmão e bacalhau também integram seu leque de especialidades.

O início de ambos na profissão foi sofrido. Sem a oportunidade de fazer um curso superior, tiveram de aprender na prática os desafios da escolha da culinária. Viviane nunca havia exercido a atividade e teve o incentivo das avós e da mãe e, com o tempo, aprendeu os macetes da profissão. Está no mercado há dez anos.

“Meus professores foram bons profissionais do ramo”, comenta. Ela começou como auxiliar de cozinha em um hotel e, aos poucos, desenvolveu seu lado gastronômico. O roteiro da história de Azevedo é o mesmo: aprendeu “na marra” os segredos da profissão que exerce há seis anos.

Ambos concordam em uma questão: é a mulher quem domina a arte de cozinhar. “A mulher tem o paladar mais apurado”, diz Viviane. “A mulher sempre ganha, mas procuramos fazer tudo certinho, com certeza, para agradar o cliente”, concorda o churrasqueiro.

O estudante Émerson Wilian Cruz, 13 anos, põe pimenta na discussão. “Com certeza, o homem (é melhor na cozinha)”, diz, convicto. Ele afirma que prepara muitas comidas, tais como macarrão, feijão, arroz e café. Tudo sozinho? “Tenho a ajuda dos meus pais, mas o toque final é meu”, garante.

Incentivo

O cozinheiro Márcio Ponsoni Claro começou sua trajetória há 17 anos, a partir do incentivo da família. Neto de proprietários de uma churrascaria, ele conta que, no começo, observava os profissionais do local e despertou para o ofício quando foi trabalhar de copeiro em um restaurante, onde mais tarde se aperfeiçoou. Atualmente, prepara diversos pratos, e divide o mérito com companheiros de trabalho. Tanto que responde no plural quando indagado qual o prato preferido da clientela. “São vários os que fazemos, mas dá para saber qual o pessoal irá gostar”, afirma. O preferido dos fregueses, garante ele, é o escondidinho de carne seca. “Mas o principal desafio é fazer pratos novos e usar a criatividade”, responde Claro sobre as dificuldades que a profissão impõe.

Parte ruim da profissão? Ele reluta em responder, até porque não consegue encontrar obstáculos em um trabalho tão satisfatório como o de cozinheiro. “Se tiver parte ruim, eu desconheço”, diz. “Acho que a parte ruim é engordar”, brinca.

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‘Tropeços’ são comuns e inevitáveis

A cozinheira Viviane Rosa lembra da época em que estava um hotel lotado e o chef de cozinha havia esquecido da folga de dois funcionários. Ela recorda até hoje da correria daquele dia. “Eu sempre fui curiosa e sempre vi os colegas fazendo todos os pratos e, naquela noite, saíram mais de 40 pratos à la carte”. Como trabalha na área de churrasco, José Adamor afirma que seu trabalho é mais tranqüilo. “Não tem corre-corre”, afirma. Já o cozinheiro Márcio Ponsoni Claro temperou com açúcar o molho que deveria ser preparado com sal. “É que os potes eram iguais”, defende-se.

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