Para o economista Wagner Ismanhoto, o aumento na demanda e o conseqüente aumento nos prazos de entrega se devem a alguns fatores, como o aumento na renda do trabalhador, os prazos de parcelamento mais longos e a economia mais forte. “Antigamente, as pessoas compravam a prazo, em média, em oito meses. Atualmente, essa média quase dobrou, foi para 15 meses. Quer dizer, tem gente que compra com dois meses de prazo, e também tem quem compra em 80 vezes”, destaca.
O economista atribui a procura, ainda, à sensação que o brasileiro tem de juros mais baixos. De acordo com ele, apesar da inflação bater na casa dos 5% ao ano, as taxas de juros mensais são de 2%, na maioria dos casos, o que dá essa falsa sensação de que os juros estão mais baixos. “Não estão. Juros a 2% ao mês são altíssimos, mas o consumidor está tão acostumado a pagar 6% ou 7% que acha 2% uma maravilha”, salienta.
Outro fator que explica a demora em atender o consumidor final está no fato das montadoras estarem mais acostumadas às variações de mercado. Ou seja, se elas não perceberem que o momento é propício para aumentar a produção, contratar mais gente e ampliar o espaço físico de suas empresas, não vão fazer.
“Muitas vezes, os empresários ficam receosos em saber até quando vai durar essa bolha de consumo. Veja como exemplo o Plano Cruzado, em 1986. Eu me lembro que os empresários ficavam naquela agonia de investir e depois de três meses nunca se quebrou tanta empresa no Brasil”, frisa, explicando que, atualmente, as empresas têm mais cautela na hora de diagnosticar o aumento no consumo.