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Grau de investimento


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Não se trata de subestimar nem é o caso de exagerar o impacto da “promoção” do Brasil a “Grau de Investimento” pela Standard and Poors, uma das três mais importantes agências de avaliação de risco do mundo. É verdade que essas agências já não gozam da credibilidade que ostentavam, algumas estão mesmo muito por baixo por terem sido incapazes de prevenir a clientela das dificuldades que se acumulavam nas instituições de crédito e que hoje assombram os mercados financeiros.

Inegavelmente, porém, é uma boa notícia para o Brasil e muito importante para a própria S&P que demonstrou enfim que está viva, apesar de passar maus momentos. Ela fez uma análise bastante cuidadosa de nossa economia, examinando as reações da sociedade brasileira diante do momento de crescimento que estamos vivendo, do comportamento da inflação, da manutenção do superávit primário, de como estão funcionando as instituições financeiras e até mesmo avaliando o estado de espírito dos brasileiros. Concluiu que estava na hora de recebermos uma “promoção”, algo que vem atrasado e já estava prefixado no mercado financeiro pois sabia que viria mais dia menos dia...

O Brasil era o primeiro da lista dos países onde os investimentos eram considerados de risco. Pulamos uma barreira, passando a ser o último da relação em que os investimentos podem ser considerados mais seguros. Foi esta a promoção que recebemos: deixamos para trás a classificação de investimento especulativo para um grau acima onde os investimentos têm um padrão de “não risco”, digamos. Estamos longe ainda do topo das listas de avaliação, pois faltam nove degráus para alcançar a classificação AAA (o “triple A”), que é o certificado mais importante do mundo. E não devemos esquecer que oito ou nove países que mereceram a mesma promoção tiveram reduzido o seu grau, posteriormente.

Há um efeito importante, imediato, que não pode ser sub-avaliado, que é a redução do custo Brasil. Significa que tanto as empresas como o próprio governo vão conseguir captar recursos no exterior à taxas de juros mais baixas. É o resultado mais substantivo, que não deve ser desmerecido pois opera na direção do crescimento do investimento na produção.

Um dos inconvenientes dessa ascensão ao grau de investimento é que ela trabalha na direção de valorizar ainda mais o Real. Uma supervalorização que já vem sustentada na desvalorização do dólar e no fato que ampliamos nossa autonomia energética na área do petróleo, mas turbinada no erro de política monetária que permite um diferencial de juros muito grande entre os papéis que estão no mais alto nível de classificação (“os triple A”) e os nossos papéis. Com a diminuição do risco Brasil esse diferencial vai crescer e, o que é mais significativo, os Estados Unidos acabam de reduzir em 0.25% a sua taxa de juros e o Brasil quase simultaneamente aumenta a sua taxa Selic em 0.25%.

É ruim, porque continuamos caminhando na direção de sobrevalorizar o REAL , com prejuízo para a atividade econômica brasileira, mais intensamente no setor exportador cujo dinamismo é essencial para a manutenção do crescimento da economia em termos sadios e sustentáveis.

O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento - e-mail: contatodelfimnetto@terra.com.br

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