São Paulo - O avô paterno da menina Isabella, Antonio Nardoni, visitou ontem o filho, preso na carceragem do 13.º DP (Casa Verde, zona norte de São Paulo), e disse estar confiante que a Justiça conceda um habeas corpus para o pai e para a madrasta da criança. O juiz Maurício Fossen decretou na última quarta-feira a prisão preventiva de Alexandre Nardoni e de Anna Carolina Jatobá, acusados de matar Isabella.
A defesa apresentou habeas corpus na tarde de ontem, mas a decisão que pode vir a reverter o decreto de preventiva do juiz não deve sair antes da segunda-feira. Assim, o pai e madrasta de Isabella, agora réus em processo criminal pela morte da menina, devem permanecer presos por pelo menos mais dois dias.
“Mantenho minha postura de confiança no Tribunal (de Justiça). Se eles (desembargadores) realmente apreciarem o pedido tecnicamente, eu tenho absoluta certeza na revogação da prisão’’, afirmou Antonio.
Para o pai de Alexandre, a decisão do juiz Maurício Fossen, que decretou a prisão preventiva do casal, pode ter sido “levada para o lado emotivo” e, com isso, o aspecto técnico teria sido deixado de lado.
Segurança
Antonio Nardoni criticou ontem o transporte de Alexandre e de Anna Carolina após serem presos e disse que não havia necessidade de algemas.
Na ocasião, a rua em frente ao apartamento dos pais da madrasta de Isabella, em Guarulhos (Grande São Paulo), estava lotada por curiosos, e o casal foi colocado em carros da polícia sem película protetora, comum em veículos da corporação. Com os vidros claros, Alexandre e Anna Carolina ficaram expostos.
Alexandre fica isolado
Hostilizado pelos demais presos, Alexandre Nardoni, voltou a ficar isolado ontem na carceragem do 13.º DP
Inicialmente, o pai de Isabella ficou sozinho em uma cela. Na noite de anteontem, no entanto, ele foi colocado com outros presos. O clima, no entanto, ficou tenso entre os detentos, e Nardoni foi novamente colocado em uma cela individual.
A reportagem apurou que Nardoni chegou a dividir a cela com outros seis presos, que se recusam a manter contato com ele.
Madrasta para Tremembé
Após um protesto das presas da penitenciária feminina de São Paulo (zona norte), Anna Carolina Jatobá foi transferida na noite de anteontem para a penitenciária de Tremembé (147 km de São Paulo). Na unidade também está Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais, em 2002.
As detentas da penitenciária de São Paulo, que souberam da chegada da madrasta por meio de agentes penitenciários, bateram canecas contra as grades, aos gritos de “assassina’’. Também escreveram no chão de uma das quadras da unidade “assassina maldita’’ e “homenagem a Isabella, presente do Dia das Mães”. Depois, a primeira mensagem foi apagada e substituída pela frase: “Estamos na paz pela vida’’.
A previsão de que Anna Jatobá seria hostilizada na penitenciária havia sido feita na quarta-feira pela delegada Renata Pontes, assistente no 9º DP (Carandiru), responsável pelas investigações da morte da menina. Na ocasião, ela disse que as detentas ameaçavam se rebelar caso Anna Carolina fosse encaminhada para a unidade.A transferência para a penitenciária no interior do Estado ocorreu à noite, de forma discreta. Na unidade, ela também deverá permanecer isolada.