Yangon - Uma semana após a passagem do ciclone Nargis por Mianmar - que, estimam diplomatas estrangeiros, matou 100 mil pessoas -, a junta militar que governa o país confiscou ontem 38 toneladas de suprimentos trazidas em dois aviões da ONU. Mas autorizou, pela primeira vez, a chegada de um cargueiro americano.
Segundo o Programa Mundial de Alimentos, da ONU, biscoitos energéticos que alimentariam 95 mil pessoas foram confiscados, o que levou a organização a anunciar a interrupção do envio de mais ajuda. Mais tarde, foi dito que mais aeronaves chegariam ontem à noite (horário do Brasil).
Os militares, no poder desde 1962, são acusados de confiscar a ajuda recebida para que eles mesmos a distribuam para as vítimas, estimadas em 1,5 milhão. Num comunicado, Ye Htut, porta-voz do governo, negou o confisco. “Gostaria de saber quem ou qual organização fez essas acusações sem fundamento.”
Ainda que os EUA tenham obtido autorização para enviar só uma aeronave, prevista para aterrissar na segunda-feira, Washington elogiou a decisão. “Um avião é melhor que nenhum”, disse Gordon Johndroe, porta-voz da Casa Branca.
Em um comunicado, a junta se disse agradecida pela assistência - que inclui 11 aviões com suprimentos -, mas que a melhor ajuda é enviar apenas material, e não pessoal.
Mas Mianmar precisa mais do que comida. Andrew Brookes, do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, diz que o país só tem 15 aviões (pequenos), e menos de 40 helicópteros -só uma fração opera. A região atingida pelo Nargis só é acessível pelo ar, e os EUA ofereceram helicópteros.