No meio do caminho entre os hospitais e a residência das gestantes estão as casas de parto. Também estão inseridas num fogo cruzado, até porque não funcionam com a supervisão de um médico.
“A vantagem de fazer o parto aqui é que normalmente não há procedimentos invasivos. São evitados, feitos só em caso de necessidade. A outra questão é que as mulheres são acompanhadas por familiares, inclusive marido, que dão apoio psicológico, mas há preconceito em qualquer lugar. Os médicos são extremamente dominadores”, diz Eliane Lopes Teixeira, enfermeira obstetrícia responsável pela Casa de Parto David Capistrano Filho, em São Vicente.
De acordo com ela, em pouco mais de quatro anos de funcionamento efetivo, a instituição nunca registrou óbitos maternos. Neste período, apenas um bebê chegou sem batimento (cardíaco) ao local. “A gente tem uma ambulância na porta com um enfermeiro capacitado para prestar o primeiro atendimento e encaminhar ao hospital. Chegamos em seis minutos”, informa.
Eliane explica que estar a dez minutos de uma unidade de referência é uma das exigências para a instalação de uma casa de parto. “Sou favorável ao parto natural e não sou contra a cesárea, só quando ela é desnecessária. Ninguém é louco de fazer parto normal em todo mundo, sem olhar quem. Se estiver correndo qualquer risco, vai para o hospital”, diz.
Mas apesar do cuidado, para o diretor clínico do Hospital Unimed Bauru, João Paulo Issa, o procedimento representa um perigo: o de forçar o atendimento a gestantes do SUS sem acompanhamento médico, apenas para reduzir custos. “Estão querendo fazer medicina para pobre. Eu duvido que alguém com condições vai querer ser atendido por uma pessoa com qualificação inferior. Para pobre, para atendimento de massa, tem que oferecer o que dá, não o que é melhor”, critica o conselheiro do CRM Carlos Alberto Monte Gobbo.
Desde março de 2000, o Ministério da Saúde (MS) implementa o programa “Trabalhando com Parteiras Tradicionais”. Tem como principal objetivo assegurar a melhoria do parto e do nascimento domiciliar assistido por parteiras tradicionais, informa a assessoria de imprensa do MS.
Da sua instituição até dezembro de 2005, foram capacitadas cerca de 1.150 parteiras tradicionais e 560 profissionais de saúde. Estavam envolvidos com o programa os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba e Roraima em aproximadamente 100 municípios.