O futebol tem mistérios dentro e fora de campo. No gramado, existem derrotas inexplicáveis, viradas épicas, falhas inconcebíveis e jornadas gloriosas, todas imprevisíveis. O que leva o futebol a ser o esporte que, com maior freqüência, vê o mais fraco derrotar o mais forte. São as zebras, na gíria futebolística. Quem nunca teve de engolir uma derrota de seu time, quando ele jogou melhor ou era claramente mais forte do que o adversário?
Mas não é só dentro de campo que o futebol tem suas particularidades. Fora, existem torcedores que se encantam por clubes com menos apelo, poucos torcedores ou distantes de suas raízes e resistem em suas trincheiras com a camisa amada, muitas vezes com mais agruras que júbilos. A explicação é que, no futebol, a relação torcedor/time muitas vezes ganha contornos “religiosos”.
Assim, o Jornal da Cidade foi ouvir um ponte-pretano, um torcedor da Lusa e um botafoguense. Detalhe, todos vivem em Bauru e têm de conviver com a concorrência avassaladora de amigos são-paulinos, corintianos, palmeirenses e santistas sempre prontos a provocá-los e a tripudiar sobre qualquer fracasso ou ponto fraco de suas equipes. Sozinhos, eles resistem e seguem na contramão das massas.