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Especial: Louco pela Lusa, com certeza!

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 4 min

Paulo Laranjeira é um espécime de uma estirpe rara: o torcedor da Portuguesa. Não é fácil encontrar um aficionado pela Lusa, principalmente fora de São Paulo. Mas Laranjeira pertence ao “seleto grupo”, que sofre e vibra com as desventuras e venturas do time do Canindé.

A sina de torcedor lusitano foi “herança” do pai, que desde cedo fez questão de passar ao filho o amor pela Portuguesa. “Já vem de pai para filho. Morava em São Paulo e meu pai costumava me levar para assistir jogos. Principalmente no final de semana, íamos muito ao Canindé, Pacaembu, Morumbi. Foi onde peguei gosto e virou esta paixão que é hoje”, se recorda Laranjeira.

Laranjeira tem gravados na memória os nomes de seus ídolos daquele time de seus primeiros anos como torcedor lusitano. “Enéias, Xaxá, Tatá, Wilsinho, Badeco, Zecão... Foi uma fase muito legal, em que o time fez ótimas campanhas. Foi aquele ano (1973) em que dividiu o título com o Santos”, lembra.

Na ocasião, Portuguesa e Santos empataram em 0 a 0 no tempo regulamentar e prorrogação. Na decisão por pênaltis, a Portuguesa havia perdido três penalidades e o Santos, após perder o primeiro, converteu os outros dois. O árbitro Armando Marques se atrapalhou na contagem das cobranças, deu o jogo por encerrado e a vitória ao Santos, quando a Lusa ainda tinha chances de empatar. O Santos comemorou, a Lusa foi embora e o único jeito foi dividir o título.

De lá até hoje muitos jogos e, segundo Laranjeira, além das outras equipes, um adversário freqüente: o árbitro. “É como meu pai fala: todo mundo tem um segundo time, até o juiz. Porque o que ‘metem a mão’ na Portuguesa é brincadeira. É um time (a Lusa) que não tem a força dos bastidores, mas sempre montou times bons, sempre revelou muitos jogadores de Seleção Brasileira. A não ser de 1997 para cá, que caiu muito, sempre esteve nas finais, semifinais.”

Um dos momentos mais marcantes para Laranjeira foi a caminhada da Lusa na Série A-2 rumo à elite paulista. “Ver o que vi no Canindé. Mesmo caindo para a Série A-2, subiu jogando em campo. Fui à final e foi muito legal ver o Canindé lotado. Dizem que a Portuguesa não tem torcida, mas tem muita torcida. Se pararem de não deixar a Portuguesa chegar, tem muita torcida. Mas você vê aquela vez contra o Corinthians, do Castrilli (Javier Castrilli, árbitro argentino, que assinalou pênalti inexistente em partida contra o Corinthians, válida pelas semifinais do Paulistão de 1998 e a Lusa acabou eliminada)... Já vi cada coisa absurda. Isso que desanima a torcida. A torcida não vai, porque sabe que vão fazer sacanagem com o time. E é verdade”, desabafa.

No entanto, Laranjeira está otimista com o momento atual do time e acredita que a Lusa já é mais forte nos bastidores. “Está mudando, o Wagner Benazzi (atual técnico) está mudando isso aí. Pode ver que tentaram tirar o Christian (o Corinthians pretendia contratar o atacante), tentaram atravessar a negociação do Edno. O Santos tentou atrapalhar de novo, porque, antes, já tirou o Ricardo Oliveira. Mas o Benazzi está segurando. O futebol está mudando, é legal ver times pequenos, como a Ponte, decidindo título. E tem que mudar, porque o que vale é dentro de campo”, diz.

Mas engana-se quem pensa que a maior frustração de Laranjeira foi o pênalti inventado por Castrilli. O momento mais doloroso ocorreu em 1996, quando a Lusa chegou à final do Campeonato Brasileiro, venceu o primeiro jogo diante do Grêmio por 2 a 0 e, podendo perder por um gol de diferença no Rio Grande do Sul, acabou sendo derrotada também por 2 a 0. “A maior tristeza foi a final contra o Grêmio. Fui assistir no Morumbi, a Lusa ganhou bem, era para ter feito cinco, seis gols. Chegou no Olímpico e perdeu o Campeonato Brasileiro. Ali, se a Portuguesa fosse campeã, com certeza estaria muito melhor hoje”, lamenta.

Apesar das frustrações e das gozações dos amigos, principalmente sobre o número reduzido de torcedores da Portuguesa, Laranjeira segue firme em seu amor à Lusa. “O pessoal sempre brinca que a torcida da Lusa vai lotar uma Kombi (risos), mas sabe que gosto mesmo do time, que defendo a camisa. É você acreditar, gostar e não virar casaca”, defende.

Mas as brincadeiras não se limitam aos amigos torcedores dos times rivais. “Até meu pai brinca muito com isso (tamanho da torcida). Outro dia ele disse, quando estava chovendo, que os torcedores da Portuguesa iriam se reunir embaixo de um orelhão. A gente brinca assim”, conta, bem-humorado.

Laranjeira até usava a Lusa como desculpa para não se casar. Até que um dia foi surpreendido. “Meus amigos todos brincavam comigo, perguntando: ‘você não casa, não casa?’ Respondia que só iria casar quando a Lusa fosse campeã. A Portuguesa foi campeã da Série A-2 e aí não teve jeito. Cumpri a promessa e casei”, comenta rindo.

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