De maior entroncamento ferroviário do País, Bauru assiste hoje à passagem diária de oito composições férreas. Os trens, com cerca de 50 vagões, passam pelo município carregados com soja, farelo de soja, açúcar, produtos siderúrgicos e derivados de petróleo.
Mas se depender da América Latina Logística, que divide a concessão para explorar as linhas que compõem a Brasil Ferrovias, formada pela Ferronorte, Ferrovias Bandeirantes (Ferroban) e Novoeste até 2021, esse movimento deve ser ampliado.
O aumento deverá vir em decorrência do incremento da rota Bauru-Bolívia. E com a opção da intermodalidade pelo transporte ferroviário e rodoviário, a empresa aumentou em 100% a movimentação para o país vizinho, passando de 7.500 toneladas ao mês no primeiro semestre de 2006 para 15 mil toneladas em setembro do mesmo ano.
Nesse procedimento, a carga é transbordada e segue por ferrovia até a fronteira com o país vizinho. A entrada dos vagões na Bolívia é realizada em parceria com a Ferrovia Oriental, que retira os vagões em Corumbá e os leva até Quijarro. Atualmente são transportadas cerca de 2 mil toneladas/mês da Bolívia para Bauru.
“A grande diferença entre o serviço prestado pela antiga operadora (a Novoeste) e a ALL é que nós captamos a carga do cliente em qualquer local. Oferecemos a logística do transporte rodoviário até Bauru, quando a carga é colocada em vagões e segue até a Bolívia”, explica Bruno Lino, da gerência de negócios industrializados da ALL.
Atualmente, a malha ferroviária administrada pela Unidade de Produção da ALL em Bauru é de 1.184 quilômetros. O trecho urbano de Bauru possui 9 km de bitola métrica e 2,5 km de bitola larga, totalizando 11,5km.
Investimentos
A América Latina Logística (ALL) garante que ao longo dos últimos 12 anos tem realizado investimentos pesados para melhorar e recuperar as condições das ferrovias que cortam Bauru (Ferroban e Novoeste) e, conseqüentemente, aumentar a produtividade e a segurança das operações ferroviárias.
Números divulgados pela empresa apontam investimentos de R$ 600 milhões em toda a malha ferroviária. Já para este ano a empresa anuncia investir cerca de 15% a mais, o que representa R$ 700 milhões.
De acordo com a assessoria de imprensa da ALL, os resultados dos investimentos já começaram a aparecer. Exemplo disso é que, a empresa conseguiu reduzir em 63% no ano passado o índice de acidentes em relação ao ano de 2006. Os acidentes foram reduzidos de 91 ocorrências para 33 de um ano para o outro.
No trecho da unidade de produção de Bauru, que engloba a linha férrea de Jupiá a Iperó, além do ramal de Bauru a Tupã e de Itirapina a Bauru, a ALL anunciou investimentos de R$ 35 milhões para este ano. “A previsão é que sejam trocados 80 mil dormentes e 20 mil metros de trilhos”, informa a assessoria.
Em 2007, foram trocados 45 mil dormentes e 5 mil metros de trilhos na mesma unidade. Foram colocados 6 mil metros cúbicos de pedra britada no trecho e feito o nivelamento mecanizado de 120 mil quilômetros. A mata-mato (capina química) foi aplicada em 1.400 quilômetros de linha. De acordo com a assessoria, só na reforma da sede administrativa de Bauru foram investidos R$ 1 milhão para a reforma das instalações.
“No último semestre, entre novembro de 2007 e março deste ano, houve a reforma completa na malha ferroviária entre Bauru e Botucatu que em breve receberá locomotivas modelo C30 com maior capacidade de tração”, avisa a assessoria.
A reforma se deu para atender principalmente a demanda de transporte dos produtos da VCP do Grupo Votorantim, que está construindo uma nova unidade em Três Lagoas (MT).
O projeto deverá ser concluído no final deste ano, quando a ALL pretende melhorar as condições de mais 408 quilômetros de ferrovias. Na obra já foram substituídos 26 mil dormentes e substituídos 30 quilômetros de trilhos e lastros.
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Sindicato dos Ferroviários
Para o Sindicato dos Ferroviários, fazer com que as empresas privadas que receberam como concessão os patrimônios das antigas ferrovias e o direito para operar as linhas cumpram o que está consignado nos contratos de concessão tem sido o maior desafio da entidade.
“Os valores dos investimentos realizados para recuperar as malha ferroviária, os prédios e as locomotivas recebidas no momento da concessão até agora são bastante inferiores aos que constam nos contratos”, ressalta o presidente do sindicato, Roque Ferreira.
Ele ressalta que esse problema está sendo verificado em todo o Brasil, inclusive envolvendo a América Latina Logística (ALL), que mantém o controle acionário das empresas Novoeste e Ferrovias Bandeirante (Ferroban), operadoras das linhas de Bauru.
De acordo com o sindicato, a política atual da empresa em relação à contratação de pessoal é outro item que causado problemas. Além do grande número de demissões, a maior parte dos ferroviários que prestam serviços nas linhas administradas pela ALL é funcionário de empresas terceirizadas, as quais não têm respeitado os direitos garantidos por lei.
“Realizamos diversos acordos com essas empresas na intenção de garantir aos ferroviários terceirizados os mesmos rendimentos definidos para quem possui vínculo direto com a Ferroban e a Novoeste”, conta Ferreira.
De acordo com o presidente do sindicato, hoje o número de funcionários com vinculo com Ferroban e Novoeste não chega a 500 funcionários, já os terceirizados somam 980. “Nós temos uma ação civil pública Tribunal Superior Trabalho (TST) que já foi julgada procedente e aguarda recurso”, conta Ferreira. De acordo com ele, a ação se baseia no princípio de que atividades básicas ferroviárias não podem ser terceirizadas.