E aí, “minha gatona”, como é que estão as coisas?
Aqui eu tô caminhando... Tens dias que estou mais triste, outros, esqueci um pouco. Sinto algo que nunca senti... Como nunca brigamos, muito menos a ponto de ficarmos separados, nunca me senti na fossa. Sabe aquele sentimento de amor não correspondido/paixão, tristeza? É o que sinto agora. É isso que é saudade?
Fico me lembrando do seu sorriso, do seu jeito sapeca do tipo que sabe que faz sucesso e todo mundo gosta, meio sem graça, mas no fundo adorando a paparicação...
Como sinto falta do seu bom humor. Seu senso de humor fez de mim uma pessoa mais leve, mais flexível com as intempéries da vida. Aprendi a rir de mim com você. E como nós riamos, né? Você era muito sarrista, menina!
E as viagens? Viajar já é superlegal, com você então... Curtimos muito. Lembra daquele passeio até o Forte de Bertioga? A gente foi de triciclo pela praia achando que era perto, e nada de chegar. Você ficou brava comigo! Eu sempre ingênuo, achando que tudo é possível. Sempre com a cabeça nas nuvens, esse seu equilíbrio me trazia pro chão sempre! Eu me sentia muito seguro com você.
Você não foi apenas a minha namorada, noiva, esposa. Foi também a minha melhor amiga, minha confidente, minha companheira. Nossa relação foi de uma riqueza inigualável. Deus foi muito generoso conosco.
E quando você estava triste sem saber porquê? Você ia desabafando, ia se abrindo, e a gente descobria juntos o motivo, e conversávamos, eu te punha no meu colo e ficava te ninando, te protegendo. Te proteger foi sempre a minha missão, minha flor delicada! Eu tenho orgulho de ter sido o seu ombro, você se animava de novo e tudo voltava a ficar bem.
Lembra das nossas brincadeiras ? Parecíamos dois bobos, as outras pessoas não entendiam, mas nós entendíamos ... Lembra que antes de eu ir trabalhar de manhã, você ainda deitada, eu te dava aqueles beijos demorados na bochecha e você abria um sorrisinho de acolhimento, ainda de olhos fechados?
As pessoas acham que fui um super-herói por ter estado com você sempre. Pra mim não é orgulho, é motivo de conforto. Na minha pequenez diante da doença, de não poder fazer nada, o que sempre me animou – até agora quando lembro - é que fiz o máximo para aliviar tudo que você sentiu física e emocionalmente, poupá-la ao máximo: carinho, otimismo, fé e acolhimento. Na verdade, sinto um orgulho, sim, por ter sabido ser “pai” além de marido.
Ver você feliz pra mim era tudo! Agradeço a Deus por ter podido vê-la feliz em 90% do nosso tempo juntos. E afinal, são esses momentos que importam, os que mais me lembro. Te amo, Lê.
Do seu “mar”
Marcelo Cabello Peres para esposa Alexandra Massari Peres, falecida em 13 de abril de 2008.