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Policial destaca contribuição das mulheres para corporação

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Metade da vida de Silvia Regina Pascoal Ferreira, 42 anos, foi dedicada a uma profissão ainda dominada por homens: a de policial militar. A sargento Silvia ingressou na corporação em 1987, numa época em que a polícia ainda trabalhava para defender o Estado, e não a comunidade. Nestas duas décadas, ela acompanhou a evolução da PM, que agora é dedicada a proteger os direitos dos cidadãos e de Bauru. Questionada sobre a data de hoje, em que se comemora o Dia da Polícia Feminina, ela diz acreditar que a contribuição das mulheres é essencial à profissão.

A sargento recebeu a equipe do Jornal da Cidade em sua casa, dividindo a atenção com o filho João Pedro, 11 meses. Ela revela que não possui parentes na corporação que pudessem ter influenciado na escolha da profissão. “Foi uma opção na época. De lá para cá, foram 21 anos de luta”, diz.

Para ela, a sensibilidade da mulher é essencial para a atuação comunitária da PM. “Muitas vezes, o cidadão precisa apenas ser ouvido”, pontua. A sargento, que é natural de Uru (distante 89 quilômetros de Bauru), atua no setor de planejamento do policiamento na cidade e para conseguir cuidar do filho, da casa e do trabalho, conta com a ajuda do marido João Carlos, que é funcionário da prefeitura.

Para ela, a profissão é como qualquer outra, mas traz suas preocupações. “Somos profissionais comuns, temos os nossos anseios, nossas expectativas. Mas estamos muito próximas dos problemas sociais da cidade e isso nos faz valorizar muito a vida”, pondera.

Quando entrou para a corporação em Bauru, a sargento conta que atuava no trânsito. “Sem arma e de saia. Era uma época de uma filosofia que pregava que a policial feminina tinha que ser uma espécie de assistente social”, conta. Neste período, ela lembra da perda de uma colega num acidente automobilístico durante o trabalho. “Éramos uma turma nova, com 18, 20 anos, e logo sentimos essa morte trágica”, recorda.

Mas ela sabe que a profissão escolhida tem seus momentos perigosos. “Estamos numa profissão de risco. E não apenas no atendimento de casos violentos. Às vezes, numa simples ocorrência familiar, acontece alguma coisa grave. Você está exposto o tempo todo”, pondera.

Com 21 anos de experiência na polícia, ela avalia que a maioria dos problemas enfrentados atualmente na segurança pública vem de uma distorção de valores na sociedade. “Muitos acham que pequenos delitos não têm importância, mas é assim que se começa”, avalia.

E a formação de seu filho, os valores que transmitirá a ele, fazem parte das preocupações da sargento. “As mulheres sempre se cobram mais em relação ao lar. Sempre cobramos muito as nossas responsabilidades”, diz.

Além disso, conciliar o trabalho em casa com a chegada do bebê e o dia-a-dia policial, também lhe custou alguns passatempos. “Antes eu sempre fiz muito trabalho manual, artesanato. Também sempre gostei muito de cozinhar. Agora, não consigo fazer mais nada”, confessa.

A data

Em 12 de maio de 1955, sob o decreto nº 24.548, foi instituída na Guarda Civil de São Paulo o Corpo de Policiamento Especial Feminino e, na mesma data, Hilda Macedo tornou-se a primeira comandante do Policiamento Especial Feminino. Estava criada a primeira Polícia Feminina do Brasil, pioneira também na América Latina, que recebeu como atribuição missões que melhor se ajustavam ao trabalho feminino, conforme as necessidades sociais da época: a proteção de mulheres e jovens, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

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