Bairros

Cinco crianças contraem leishmaniose em Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Mais cinco crianças de Bauru, com idade entre 8 meses e 9 anos, contraíram leishmaniose. A informação foi divulgada ontem pela Secretaria Municipal de Saúde, que recebeu do Instituto Adolfo Lutz a notificação de mais seis novos casos neste ano. Do total, apenas um deles refere-se a um adulto. Trata-se de um homem de 55 anos, morador do Jardim Ferraz.

Com as novas confirmações, Bauru passa a totalizar nove casos da doença em 2008. No ano anterior, foram 40 notificações. “A leishmaniose acomete a medula. Isso debilita muito a imunidade. Tanto a criança quanto o adulto são suscetíveis, mas eu acredito que as crianças fiquem mais expostas”, diz o infectologista Marcelo Pesce.

Normalmente, elas permanecem em casa a maior parte do tempo, brincando com o cão da família e até próximas às áreas de risco. Já o adulto sai para trabalhar e não estaria em casa nos horários de preferência do mosquito, avalia o médico. As cinco crianças, inclusive o adulto, já passaram por tratamento no Hospital Estadual de Bauru.

“Hoje nós temos medicamentos mais potentes do que tínhamos antes. Então a criança pode ficar perfeitamente curada, desde que tratada a tempo”, explica Pesce. Na opinião dele, o fato de tantas delas desenvolverem a doença deveria pautar uma análise estatística.

Regiões

O bebê de 8 meses mora no Jardim Maria Célia. Um garoto de 3 anos, no Jardim Olímpico. A menina de 4 anos, na Vila Alto Paraíso, assim como o menino de 9 anos. O outro de 6 anos, no Núcleo Nobuji Nagasawa (Bauru 2000), informa a assessoria de imprensa da prefeitura.

O órgão não esclareceu quais medidas serão adotadas pela administração municipal para evitar a propagação da doença. Em situações normais, agentes de controle de endemias fazem busca ativa de possíveis novos casos na região onde há registro da doença em humanos. Ontem a categoria encerrou a greve que durava 42 dias.

Ao transitarem em área de risco, até os próprios servidores podem ser acometidos pela doença. “Numa pessoa mais saudável pode ter menos repercussão. Mas se ela for suscetível à doença, pode ser criança ou adulto, saudável ou não, que vai desenvolver. O estado de imunidade interfere no modo de reagir. A criança tem o sistema imunológico em formação, embora várias funções estejam ali”, explica o médico.

O período de incubação da doença varia entre dez dias e dois anos. A leishmaniose é transmitida pelo mosquito palha, que se reproduz em meio ao material em decomposição.

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