As ferrovias são meios de transporte de cargas e de passageiros. Transporte quantitativo ímpar. No Brasil, elas foram sucateadas paulatinamente através de “lobbies”. Donos de empresas de ônibus e empresas de caminhões de carga pressionaram os deputados federais para não destinarem verbas suficientes para conservá-las. Hoje existe o Projeto Ferrovias para todos, do governo federal. Parece que agora as coisas irão mudar. Verbas, há. É imprescindível reivindicá-las.
As ferrovias devem ser revitalizadas. Só que trilhos na região central das cidades são óbices indesejáveis para o fluxo de veículos. Aqui neste jornal, já postulamos a retirada dos trilhos do centro de Bauru: Dr. Áureo Antônio Ernica (26/12/99), o arquiteto Crivelli (6/2/00), o arquiteto Jurandyr Bueno Filho (20/11/05), José de Almeida Neto (10/4/07) e Antônio Menocci Filho (24/4/08). Tenho escrito por vários anos sobre o assunto (2000, 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008) no JC.
Em Londrina o prefeito e a câmara municipal, harmonicamente articulados, deram as mãos, tiveram vontade política, exerceram a cidadania plena, esqueceram as contendas partidárias, tiveram ousadia, tiveram olhos de lince. Retiraram os trilhos do centro da cidade. Criaram vias de tráfego. Otimizaram o fluxo de veículos cada vez maior na urbe. Jundiaí e Araçatuba fizeram o mesmo. Agora, Marília está agilizando para retirar os trilhos com verbas do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Repetimos: verbas há. É imprescindível reivindicá-las.
Bauru também poderá retirar os trilhos com verbas do PAC. Basta que conste no Plano Diretor (PD) um planejamento prevendo tal medida. O edil Paulo Eduardo Martins Neto já apresentou uma emenda ao PD para a retirada dos trilhos da região urbana. Falta ainda o sinal verde da comissão de vereadores, para incluir ou não tal emenda ao projeto de lei que posteriormente será discutido em plenário. Aí estaremos contando com todos os edis, para a retirada dos trilhos do centro.
Quando eu tinha 14 anos (1955) um teco-teco, em vôo rasante, inundou as areias das praias de Santos com uma propaganda inusitada. Tiras de papel onde havia desenhos seqüenciais. Primeiro quadrinho: dois burros, amarrados com uma única corda que os prendia pelos pescoços. Tentavam inutilmente cada um comer seu monte de capim. Não alcançavam o respectivo monte por estarem distantes um do outro. Segundo quadrinho: resolveram comer juntos um monte de cada vez. A união faz a força.
Um burro representa os situacionistas. O outro, a oposição. Mister se faz que os dois burros se unam, visando ao bem comum, para usufruírem dos montes de capim (verbas do governo federal). É por esta razão que cidades como Marília (porque lá a união faz a força) estão nos ultrapassando em matéria de desenvolvimento. O que Bauru carece é de união apartidária de todos os políticos locais. Vamos fazer de Bauru uma cidade hodierna, com um sistema viário rápido e eficaz?
Gilberto Sidney Vieira - professor - RG 3.476.358-2