Não faltou empenho. As críticas do técnico Guerrinha ao GRSA/Bauru na partida de anteontem contra o Assis/Conti parecem ter surtido efeito. Ontem, a equipe bauruense, mesmo já sem chances de classificação, jogou no limite e enfrentou de igual para igual um dos favoritos ao título da Supercopa de Basquete. Atuando no ginásio Luso, o GRSA perdeu na prorrogação por 102 a 100, após empate em 88 pontos no tempo regulamentar para o mesmo adversário.
Foi uma noite de atuação de gala do armador Nezinho. O jogador comandou sua equipe, principalmente nos momentos decisivos, e foi o cestinha da partida, com 49 pontos, além de distribuir oito assistências. O pivô Ricardo Probst também se destacou pelo Assis, com um duplo-duplo (dois dígitos em dois fundamentos): 18 pontos e 19 rebotes.
Pelo GRSA, o armador Otávio fez 23 pontos e deu cinco assistências, o pivô Filé anotou 13 pontos e capturou sete rebotes, o ala Alex marcou 16 pontos e pegou cinco rebotes, o ala Gaúcho contribuiu com 14 pontos e o armador Bernardo, com 11 assistências e cinco rebotes.
O resultado mantém o GRSA na oitava e última colocação da Supercopa, com 32 pontos e seis vitórias em 26 jogos. O Assis é o quarto colocado, com 42 pontos e 16 vitórias no mesmo número de partidas.
“Nós não montamos equipe para ser campeã, montamos para disputar o Torneio Novo Milênio. Estamos disputando a Supercopa de igual para igual com equipes prontas. Estamos orgulhosos hoje com o resultado. Apesar de ter sido uma derrota, a equipe vem evoluindo muito e, com certeza, para o Campeonato Paulista nós vamos melhorar ainda mais a equipe”, considerou o técnico Guerrinha. Sobre o desempenho de Nezinho, que desequilibrou o jogo, o treinador lembrou da diferença de estrutura das equipes. “O Nezinho fez 49 pontos e ele custa ao Assis 70% da nossa folha de pagamento. Isso só vai ocorrer aqui (Bauru) quando a gente tiver a possibilidade de investimento. Sem investimento você fica limitado”, comentou.
Jogo
O começo da partida foi mais solto, com as defesas pouco agressivas. Do lado do GRSA, o trabalho coletivo no ataque garantia os pontos. No Assis, o armador Nezinho já começava a se destacar e comandava a equipe. No final da etapa, a marcação de ambos os lados apertou e o jogo ficou mais físico. Quem se aproveitou melhor das oportunidades foi o GRSA, que fechou a parcial dois pontos na frente: 24 a 22.
No segundo quarto, a equipe bauruense voltou dispersa. Somente depois de 4min14s, o GRSA conseguiu marcar seus primeiro pontos, com o ala/pivô Marcel. Áquela altura, Assis já havia anotado oito pontos consecutivos e virado o jogo. A partir daí, o duelo voltou ao equilíbrio. O GRSA, com personalidade, reverteu o placar negativo e, mesmo perdendo a parcial por um ponto (15 a 14), terminou o período ganhando por um ponto, 38 a 37.
No terceiro quarto, ao contrário do jogo anterior, anteontem, contra o mesmo adversário, o GRSA voltou ligado. Marcando bem, o time impôs seu ritmo e abriu cinco pontos em quatro minutos. Assis reagiu e encostou em 53 a 52. O jogo ganhou velocidade e duas cestas de três seguidas de Gaúcho e Alex, respectivamente, fizeram o GRSA voltar a respirar. O GRSA seguiu com a mão calibrada e chegou a ter sete pontos de vantagem. No finalzinho da parcial, o Assis ainda diminuiu e o quarto se encerrou em 64 a 60 para o GRSA.
No quarto final, ancorado no bom jogo de Nezinho, Assis virou a partida. Para complicar a situação do GRSA, o pivô Filé, que fazia boa partida, acabou excluído por ter cometido duas faltas antidesportivas. Dentro da quadra, o jogo seguia muito disputado. Mas, fora dela, um princípio de confusão entre torcedores bauruenses e o jogadores reservas de Assis forçou a paralisação do duelo por vários minutos.
Os assisenses reclamavam da proximidade da torcida “A regra diz que a torcida tem que ficar, no mínimo, a dois metros do banco de reservas. Os torcedores chegaram a encostar nos jogadores que estão no banco e chegaram a cuspir em mim. Tem que ter uma segurança, pois pode ter uma agressão ou acontecer uma confusão, como aconteceu. Eles torcem de lá e nós ficamos aqui e jogamos”, reclamou o ala Jorginho. Os seguranças se postaram entre a torcida e os jogadores de Assis e a partida recomeçou.
Depois de controlada a situação, a partida reiniciou com Assis vencendo por 71 a 69. O time visitante, controlando a partida e sob o comando de Nezinho, seguiu à frente, mas sem conseguir abrir uma distância confortável para resolver de vez o jogo. Faltando 18s para o final, o Conti vencia por 85 a 83. Foi quando o ala Marcel, do Conti, sofreu falta. O jogador converteu apenas um dos lances livres e deixou sua equipe três pontos à frente.
O que se seguiu foi um teste de nervos para os torcedores e jogadores na Luso. O GRSA foi ao ataque e Alex sofreu falta. Dois lances convertidos e desvantagem diminuída para apenas um ponto. Foi a vez de Assis atacar, Nezinho sofrer falta e anotar os dois arremessos.
O GRSA não desanimou. O time se lançou ao ataque e o armador Otávio sofre falta em tentativa de arremesso de três pontos. O cronômetro apontava apenas um segundo para o final da partida e o jogador tinha a obrigação de converter os três lances livres para forçar a prorrogação. Foi o que aconteceu. Empate em 88 pontos e mais cinco minutos para jogar.
Na prorrogação, o GRSA começou atropelando e abriu cinco pontos. Mas o jogo era de tirar o fôlego. Assis, em duas cestas, encostou em 93 a 92. As defesas se superavam. Mas Nezinho estava em noite inspirada. Assis empatou novamente o jogo quando faltavam dois minutos para o fim.
Nos segundos finais, era impossível apontar quem venceria. Uma nova prorrogação se desenhava. Mas a maior experiência de Assis prevaleceu. Com apenas 10s restando, Ricardo Probst, em lances livres, pôs o Assis em vantagem. O GRSA ainda tentou o derradeiro ataque, mas perdeu a bola e o tempo se esgotou. Final: 102 a 100 para Assis.