Não foi apenas boa música que Lobão trouxe a Bauru na sua passada pela cidade na última semana, no Alameda Quality Center. Sempre polêmico e afiado, o músico disse tudo o que pensa sobre o cenário musical brasileiro durante uma coletiva concedida à imprensa.
O jabá é o dinheiro pago por gravadoras a rádios para que determinadas músicas de artistas sejam mais executadas. Lobão, que há tempo deixou de ouvir música no rádio, lamenta o modo como a prática exclui das “paradas” os verdadeiros talentos. Para o músico, a rádio tronou-se um elemento mais do que coadjuvante na cultura brasileira séria. “Nem eu nem as pessoas de bom senso e bom gosto ouvem mais rádio. Porque o que é sério e o que está valendo não toca”, lamenta o músico.
O grande perdedor vai ser o próprio veículo que, para ele, perderá o trem da história. “Os grandes talentos que marcarão a história estão fora das rádios. Elas vão se arrepender porque os modismos passam e ninguém vai lembrar deles”, diz Lobão.
Para ele, o maior responsável por este cenário é o jabá (jabaculê), considerada pelo músico uma censura pior do que a praticada nos porões da ditadura. “A censura no período da ditadura, apesar de cruel, tinha um cunho ideológico, os caras achavam que estavam defendendo a pátria. Agora o jabá é feito pelo vil metal mesmo, o dinheiro. É uma censura baseada na grana e na baixa qualidade”.
“A rádio era um veículo importantíssimo que por conta dessa mesquinharia perdeu sua importância. E eu estou morrendo de rir ao ver que a cobra está mordendo o próprio rabo”, conclui de maneira irreverente.