Internacional

Mortos na China ultrapassam 12 mil

Por Raul Juste Lores | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

China - Mais de 24 horas depois do terremoto que matou mais de 12 mil pessoas na China e deixou ao menos 20 mil desaparecidas, a operação humanitária é deficiente em algumas das áreas mais destruídas. Milhares de desabrigados na Província de Sichuan se refugiam em tendas improvisadas, sem comida, água ou cobertores para enfrentar frio e chuva.

Ao redor da escola pública que desabou no distrito de Juyuan, em Dujiangyan, soterrando 800 estudantes, a presença estatal se resume a duas tendas e quatro caminhões do Exército.

Na véspera, o presidente, Hu Jintao, anunciou um “esforço total” pelas vítimas. O governo mandou 50 mil soldados para as regiões devastadas e anunciou uma verba de US$ 52 milhões para as vítimas. Mas o tamanho da tragédia faz o esforço parecer pequeno.

O terremoto fez vítimas fatais em sete Províncias chinesas. O governo confirma 12.012 vítimas apenas em Sichuan e 323 no resto do país. O número, porém, pode aumentar muito, já que há milhares de soterrados e desaparecidos, algumas áreas estão sem comunicação e as informações de Wenchuan, epicentro do tremor, ainda são poucas - há 500 mortos confirmados, mas em um de seus povoados, Yingxiu, de 12 mil habitantes, só 2 mil sobreviventes foram encontrados até agora.

Cerca de 1.300 soldados e médicos só chegaram ontem à tarde, 24 horas após o tremor, a Wenchuan. Eles tiveram que ir a pé, pois a estrada está totalmente destruída. Em Mianyang, segunda maior cidade da Província, há 18 mil pessoas soterradas. Em Mianzhu, 4.800.

Na vizinha Beichuan, há 5 mil mortos. Várias escolas e duas fábricas desmoronaram em Shifang, onde houve um vazamento químico.

Críticas

Em um país onde criticar abertamente o governo pode dar prisão, vários moradores ousam atacar o que consideram uma resposta insuficiente do governo ao seu drama.

No lamaçal em que se transformou a escola destruída, o mecânico Li Jian, 30 anos, acompanhava o trabalho de resgate, sem saber o que aconteceu com seu irmão caçula, de 16 anos, sob os escombros.

Escolas e hospitais públicos foram os primeiros a desabar, enquanto vários prédios comerciais na mesma área continuam em pé. Longe da exuberância econômica que a China demonstra em Pequim, a frágil escola de Juyuan tinha até 70 alunos em uma única classe. A construção tinha dez anos.

Tênis e garrafas de refrigerantes vazias espalhadas pelo terreno, onde várias mães choravam e gritavam. Algumas brigavam com os soldados das equipes de resgate, pedindo permissão para vasculhar os escombros atrás de seus filhos.

A alguns quilômetros dali, o agricultor Zhang Degang, 26 anos, viu a casa em que morava com a mulher, a mãe e o irmão rachar por completo. Janelas estilhaçaram pela casa inteira, que ficou com o teto trincado.

Zhang levou a família para uma tenda montada em frente à casa. “Até agora, não veio uma única pessoa do governo nos ajudar, estamos sem água e com frio. Tenho muita vontade de falar, talvez algum governante nos escute”, disse.

A precariedade do abrigo de Zhang se repete por toda a Província. Na capital, Chengdu, metrópole de 12 milhões de habitantes, centenas passavam à noite embaixo das marquises de uma das principais ruas comerciais, com temor de voltar às suas casas com rachaduras.

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