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Dr. Automóvel: Veículos rebaixados

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Já tive a oportunidade de comentar as barbaridades que se cometem com nossos queridos carros em pretensas modificações e “tunagens”, principalmente no âmbito das alterações na suspensão. Verdadeiros meliantes que insistem em cortar molas para rebaixar o carro continuam ativos e otários pagam para eles estragarem seus carros. É um círculo vicioso que está sendo combatido pelos órgãos de trânsito a passos lentos, mas decididos, através de fiscalizações e proibições de renovação do licenciamento, não regularizando o veículo alterado. Só que isto sendo realizado indiscriminadamente pode afetar o trabalho de um bom mecânico ou um bom tuning, feito com critérios técnicos e peças de boa origem. Desta forma alguns proprietários de veículos rebaixados muitas vezes são obrigados a fugir das fiscalizações, mas agora eles poderão sair da clandestinidade.

Entrou em vigor a resolução 262 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a qual permite as modificações na originalidade dos carros desde que inspecionados por um órgão credenciado pelo Inmetro, para obtenção do Certificado de Segurança Veicular.

Antes, só se podia alterar a suspensão de veículos de carga. Agora, com a nova regulamentação o mercado se amplia para os automóveis alterados, tunados ou personalizados.

Antes de fazer a troca da suspensão, deve-se requerer uma solicitação nos Centros de Registro de Veículos Automotores (CRVA). Para quem já tem o veículo rebaixado mas não tem a permissão concedida não há uma regularização automática. Através do pagamento de uma multa e perda de 5 pontos na CNH poderão se regularizar, segundo o Detran.

O procedimento será o seguinte, o automóvel passará por uma vistoria técnica e terá sua nova altura (distância entre o solo e o ponto do farol baixo do automóvel) escrita no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo. Esta regra vale para suspensões fixas, sendo proibido qualquer sistema móvel, seja de rosca, elétrico, hidráulico ou pneumático. Falta ainda uma regulamentação específica para como fazer as modificações, apenas está escrito que o controle dependerá dos órgãos que emitem o CSV.

Isto tudo mostra apenas o aspecto legal da coisa, em como se poderá daqui para frente regularizar um carro rebaixado. E tecnicamente, como fica?

Teoricamente, um carro de corrida é rebaixado para deixar a carroceria e o chassi mais próximos do solo com o intuito de baixar o centro de gravidade e, com isso permitir maior estabilidade em curvas (que poderão ser feitas em velocidades maiores) além de diminuir a altura livre do solo, restringindo a passagem de ar por baixo do carro melhorando a penetração aerodinâmica. Tudo isso é perfeitamente apropriado e válido para um carro de corrida, que anda em um circuito fechado com piso asfáltico de primeira qualidade, sem buracos, lombadas ou qualquer outro tipo de obstáculos. Muito diferente da nossa realidade nas ruas, não? Temos limites de velocidade em todo lugar, buracos que não acabam mais, lombadas, guias rebaixadas em saídas de garagens e uma infinidade de restrições ao deslocamento de um carro muito rebaixado. Dou boas risadas, sozinho no carro dirigindo no trânsito, quando um carro tunado ao meu lado dá uma acelerada com seu motor turbo até dar o espirro, trocando de marcha como se fosse um piloto e breca seco na próxima esquina, para passar de lado a 3 km/h por uma valeta, para não raspar o fundo... e todo mundo passa por ele devagar, quando então ele inicia a nova arrancada até a próxima valeta, quando será ultrapassado por todo o fluxo de trânsito novamente. As ruas da cidade têm suas características e por isso todo carro sai de fábrica com uma altura suficiente para o dia a dia. Podemos melhorar isso sim, mas até certo ponto. Por exemplo, é aconselhável um rebaixamento de até 25 mm em uma suspensão original que não haverá problemas sérios de interferências, podendo ser mantidos os mesmos amortecedores e batentes. As molas deverão ser trocadas por outras mais baixas porém com a mesma carga, nunca cortadas. As rodas não poderão ficar encobertas pelo paralama sob a pena de impedir que as mesmas façam curvas. Bom senso e conhecimentos mecânicos são fundamentais!

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

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