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Das mães adolescentes, 40% dão à luz bebês prematuros

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Mães adolescentes têm mais chance de dar à luz prematuros. Das 60 delas que tiveram filhos no ano passado em Bauru, 39,83% foram incluídas nesta situação, segundo dados do Banco de Leite Humano. É prematuro quem nasce antes da 37.ª semana. Numa gravidez normal, o parto ocorre até a 42ª semana.

A possibilidade do bebê chegar antes do momento ideal é maior entre as meninas por uma conjunção de fatores, informa o ginecologista e obstetra Eduardo Crivelari Baische. O primeiro deles em virtude da anatomia da própria adolescente. “O corpo não está totalmente formado. Quanto mais nova, mais chances tem de ter prematuro. E aborto também”, explica o médico.

De acordo com ele, embora normalmente a menina ovule a partir dos 12 anos, ela só estará realmente apta a ser mãe, do ponto de vista físico, a partir dos 18 anos. “Mas não é o único fator. O outro é comportamental. Pela própria adolescência, elas não têm consciência do que é ser mãe. Não valorizam muito a gestação. Não fazem o acompanhamento adequado. Estão com a cabeça em outra coisa”, acrescenta Baische.

Ele admite que quase todas as suas clientes nesta situação lhe dão “dor de cabeça”. “Não só pela prematuridade, mas também pelo fator psicológico, emocional”, diz. Muitas vezes, elas não são apoiadas pela família e ainda sofrem rejeição do círculo social em que estão inseridas. Na maior parte das vezes, as meninas não têm estrutura emocional para cuidar de uma criança, quanto mais prematura.

Antes do tempo

“A partir do 3º mês, a anatomia do bebê está formada, mas a maturidade dos órgãos não está boa. É mais comum os prematuros nascerem entre 30ª e a 34ª semana, são bebês mais viáveis”, explica Maria Nereida Panichi, coordenadora do Banco de Leite Humano. De acordo com ela, quando o parto ocorre antes da 30ª semana, a situação do recém-nascido é mais complicada.

“Mas hoje temos mais recursos”, garante. Ainda assim, nestes casos, as seqüelas são prováveis. Apesar da tecnologia, atualmente as incubadoras continuam representando perigo aos bebês. Elas os acolhem imediatamente após o nascimento. Sua luminosidade pode provocar cegueira, explica Nereida.

O ruído que faz, embora seja imperceptível ao ouvido de um adulto, também é um risco à audição da criança. A medicação ainda pode causar efeitos colaterais, sem contar o fato de estarem num hospital, o que já as torna vulneráveis. “A maturidade motora, neurológica e imunológica não estão prontas”, acrescenta Nereida.

Por conta disso, qualquer infecção pode ser fatal ao recém-nascido. Ela é a principal causa de óbitos de prematuros, diz o ginecologista. “Embora existam recursos, a prematuridade é um grande problema devido à alta taxa de mortalidade e morbidade”, conclui o médico.

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Histórico de prematuros

Embora não seja adolescente, a dona de casa Débora Aparecida Martins deu à luz prematuro no final do mês passado. O caçula, que continua internado na Maternidade Santa Izabel, é seu quarto filho, sendo que todos nasceram antes da hora. A mais velha já tem 12 anos. Um deles, que nasceu com 600 gramas, não sobreviveu.

“A médica falou que esse aqui está reagindo bem. O Guilherme nasceu com 1.225 quilo, de 32 semanas. Estou com pensamento positivo”, conta a mãe que preparava-se para vê-lo pela primeira vez. Em todas as gestações, antes do parto antecipado, ela sentiu dores. Em duas ocasiões, também enfrentou sangramento.

“Não sei o que acontece porque faço o pré-natal certinho. Mas desta vez fiz laqueadura”, conclui.

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