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Enquanto sobra vacina gratuita contra gripe para idosos, falta nas clínicas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O brasileiro já se acostumou a colocar a mão no bolso quando o poder público é incapaz de atender alguma demanda. Mas no caso da vacinação contra a gripe, a situação se inverteu. Enquanto interessados da rede privada disputam as doses, elas não faltam para a campanha nacional de imunização em idosos que, em muitos casos, desprezam a oportunidade gratuita.

Mais uma vez, Bauru não atingiu a meta de vacinar 80% das pessoas com mais de 60 anos no período normal da campanha, que já foi prorrogada. Até o final da tarde de anteontem, 69,66% de uma população estimada em 37.689 idosos haviam sido imunizados, ou seja, 26.261 do total. Simultaneamente, quem procura clínicas particulares para evitar as conseqüências de uma gripe paga até 100% a mais pela dose, atualmente comercializada em torno dos R$ 80,00.

Quando as vacinas não eram escassas, o valor da dose oscilava na casa dos R$ 20,00, segundo apurou a reportagem. O custo obedece a lei da oferta e procura. As vacinas tornaram-se escassas no mercado em virtude de um problema na produção. Segundo a assessoria de imprensa do laboratório GSK, todos os produtores das doses foram surpreendidos neste ano frente à dificuldade de replicar uma das cepas (linhagem do vírus) circulante.

Sem o material necessário para a fabricação da vacina, o suplemento ficou menor para todos os laboratórios. Conforme a reportagem apurou, por meio dos hospitais sentinelas, a Organização Mundial de Saúde (OMS) faz a identificação das cepas circulantes naquele período. Elas compõem a vacina a ser produzida para aquele ano. Normalmente, uma ou outra cepa é alterada de um ano para o outro.

Prioridade

Atipicamente, desta vez, três foram mudadas, sendo que uma delas é de difícil multiplicação. Em todos os casos, trata-se do vírus Influenza, que provoca a gripe. Com o objetivo de inibir sua proliferação, especialmente entre os idosos, a campanha nacional é desencadeada. Para tanto, o governo compra as doses, já que o Brasil não dispõe de produção auto-suficiente.

Como a demanda pública deve ser priorizada, faltou para a rede privada, onde as vacinas chegaram em época bem posterior à habitual. Segundo o infectologista Marcelo Pesce, em alguns anos, era possível obtê-la já no final de janeiro, sendo mais comum em fevereiro e março. Neste ano, no entanto, foram entregues em abril.

No próximo sábado, a clínica dele deve receber 50 doses. Em outras épocas, ele comprava à vontade, entre 300 e 500 delas. “No período do frio, a procura é maior”, garante. Já muitos idosos que poderiam aproveitar a época para buscar a imunização, desprezam a chance. Muitos deles ainda evitam a dose por acreditar em mitos.

Já a dona de casa Leonice Ferreira dos Santos, 62 anos, aproveitou a campanha do governo federal e tomou a vacina na sexta-feira passada. No entanto, só participou da campanha por insistência do marido. “Não sei dizer por qual razão. Dificilmente fico resfriada. Minha sogra toma por vários anos. Ela tem 92 anos”, conclui.

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Dificuldade

A escassez de vacinas contra a gripe causou apuro também à Unimed de Bauru. Há pelo menos cinco anos, a cooperativa oferece às empresas usuárias vacina para seus funcionários. Quando solicitou 280 doses ao laboratório da qual é cliente para atender os pedidos recebidos, foi informada do problema. A solicitação não foi atendida.

“Dentro das dificuldades, o laboratório foi correto conosco. Eu pedi uma justificativa e veio um parecer da assessoria jurídica, que eu disponibilizei para as empresas. A Unimed só quer atender o usuário. Normalmente, compramos o que já foi teoricamente vendido com uma margem que eu disponibilizo na farmácia. Infelizmente, neste ano não foi possível”, explica Sônia Fiocchi, coordenadora da área de medicina preventiva da Unimed.

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