Nos últimos 40 dias, quatro pessoas morreram vítimas de acidentes de trânsito na rodovia Bauru-Iacanga, não sem razão também já chamada de “rodovia da morte”. A média de uma vítima fatal a cada 10 dias surpreende até o Policiamento Rodoviário, que registrou nove mortos na mesma via no ano passado todo. A Bauru-Iacanga, no trecho na região de Bauru, só perde em mortes para a Bauru-Ipaussu (João Batista Cabral Rennó, SP-225), que já registrou 18 fatais este ano e também foi classificada como “rodovia da morte”.
A rodovia Bauru-Marília (Comandante João Ribeiro de Barros, SP-294) também já figurou como uma das que mais matavam na região. Porém, a duplicação, ainda que parcial, fez com que o número de vítimas fatais caísse de oito no ano passado para zero este ano, no trecho de Bauru.
A duplicação da rodovia Bauru-Iacanga (rodovia Cezário José de Castilho, SP-321) seria a solução? A experiência diz que não. A rodovia Marechal Rondon (SP-300), no trecho de Bauru, só apresentou resultados positivos e deixou de ser campeã em mortes depois da instalação de radares que controlam os motoristas pelo “bolso”. Explicação: quando flagrados pelas câmeras, os infratores têm que desembolsar dinheiro para pagamento de multas. Acrescente-se a essa despesa o risco de perder a licença para dirigir, com o acúmulo de pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Negligência ao volante
São vários os fatores que influenciam na ocorrência de acidentes, especialmente naqueles que resultam em mortes violentas. O principal deles, na opinião do comandante da base operacional do Policiamento Rodoviário de Bauru, tenente Elias Lourenço Carneiro, é a imprudência dos condutores. Para ele, o motorista que utiliza a rodovia de pista simples deveria redobrar a atenção, obedecer a sinalização e, principalmente, não arriscar.
Para aqueles que transitam pela rodovia Bauru-Iacanga, o tenente orienta que, além da atenção redobrada, é preciso uma dose de paciência para agüentar viajar enxergando apenas a traseira de um caminhão, por exemplo.
A rodovia tem pista simples, o acostamento é precário, as curvas e lombadas limitam os trechos de ultrapassagens permitidas. E são justamente as ultrapassagens mal projetadas que causam as colisões frontais, causas de acidentes graves e muitas mortes.
O policial rodoviário explica que as pistas duplas têm mais segurança para os veículos transitarem, desde que o motorista trafegue em velocidade compatível e não efetue manobras arriscadas. Enquanto que a simples oferece menos segurança, já que há veículos trafegando em sentidos opostos, muito próximos, separados apenas por faixas horizontais no chão, parte da sinalização.
Para completar o cenário das pistas perigosas, a simples geralmente tem acostamento não pavimentado, o que diminui a chance no caso de uma emergência para sair da via, com segurança, de forma rápida.
Pela observação da polícia, os acidentes registrados na Bauru-Iacanga poderiam ter sido evitados. “Se os condutores tivessem adotado, por exemplo, as medidas de direção defensiva. Nós estudamos todos os acidentes com vítimas fatais para determinar o agente causador.”
A bebida alcoólica, que durante muito tempo figurou como a vilã número um, não tem mais o mesmo status, foi deixada para segundo plano. Atualmente, a estafa e o cansaço ganharam espaço, segundo o tenente. “O motorista cansado aparenta estar embriagado. Já houve casos em que o condutor foi submetido a teste de dosagem alcoólica e não foi constatado álcool no sangue. Ele estava estafado.”
Para esses casos, ele indica o descanso e o planejamento da viagem. “Toda viagem deve ser planejada com tempo para descansos e imprevistos.”
Final de semana
Os acidentes mais graves na Bauru-Iacanga ocorrem no período noturno, segundo dados do Policiamento Rodoviário, e nos finais de semana. “O motorista não aguarda local seguro para a ultrapassagem. Ele tem pressa e não espera chegar em uma reta onde há permissão de ultrapassagem. Esta é a causa de colisões frontais, laterais e choque contra barranco e queda em ribanceira.”
Segundo ele, não há um trecho definido onde ocorrem mais acidentes. “Os acidentes com vítima fatais ocorrem de forma pulverizada ao longo da rodovia.”
O trecho urbano concentra o número maior de veículos e o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) fez melhorias no acostamento. “E colocou dispositivos de acesso ao Colina Verde e Vila São Paulo. Deu uma amenizada. A grande concentração de veículos e pessoas também é causa dos acidentes, mas não os mais graves.”
A fiscalização do Policiamento Rodoviário, informa o tenente, é feita com base num planejamento operacional. “Através da análise estatística, levando em conta dias, horários e locais, determinamos as fiscalizações que podem estar estacionadas ou volantes, que percorrem os trechos mais críticos.”
Lombada eletrônica
O DER estuda uma maneira de melhorar as condições de tráfego na rodovia Bauru-Iacanga. Segundo informações da assessoria de imprensa do órgão, há um estudo sendo feito para apontar o que exatamente deve ser feito, qual a melhor alternativa de obra para melhorar as condições de tráfego.
Outra novidade é a instalação de uma lombada eletrônica nas proximidades da Vila São Paulo. A função do equipamento é obrigar os condutores a reduzirem a velocidade. De acordo com a assessoria, a instalação deve ocorrer nos próximos dias.