Brasília - O ministro da Justiça, Tarso Genro, voltou a negar ontem a possibilidade do inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar o dossiê com informações sigilosas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ser pautado por questões políticas. O dossiê foi montado na Casa Civil e foi “vazado” pelo secretário de controle interno da pasta, José Aparecido Nunes Pires.
“O inquérito da PF não trabalha politicamente e tem por objetivo investigar se houve desrespeito à lei”, disse Tarso.
Segundo ele, o inquérito da PF corre em segredo de justiça e a sindicância interna da PF tem o objetivo de averiguar se houve má conduta do ponto de vista administrativo dos servidores da Casa Civil.
Tarso afirmou que a sindicância interna da Casa Civil pode vir a apontar se houve delito no vazamento do dossiê.
Nota
Em nota divulgada anteontem, a Polícia Federal confirma a nomeação do delegado Sérgio Menezes para o cargo de Delegado Regional Executivo da Superintendência de São Paulo.
Nos últimos dias, surgiram rumores sobre o cancelamento da nomeação após o vazamento de informações do dossiê. “O Departamento de Polícia Federal esclarece que não são verdadeiras as notícias veiculadas pela imprensa sobre o cancelamento da nomeação do delegado Sérgio Menezes para o cargo de Delegado Regional Executivo da Superintendência de São Paulo.”
Segundo a PF, o convite foi feito a Menezes pelo novo superintendente, Leandro Coimbra, pelo menos um mês antes da abertura do inquérito sobre o vazamento de informações da Casa Civil. “A posse acontecerá ao final das investigações”, diz a nota.
A Polícia Federal esclareceu ainda que informações sobre coleta de dados e elaboração de “dossiê” não foram prestadas pelo presidente do inquérito, delegado Sérgio Menezes. “A investigação, que encontra-se em fase de tomada de depoimentos e análise pericial de computadores, está sob segredo de Justiça, sendo, portanto, expressamente proibida a divulgação de qualquer dado.”
Depoimento adiados
A CPI adiou para terça-feira os depoimentos do secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, e do assessor parlamentar André Fernandes, envolvidos no vazamento do dossiê. Como Aparecido ainda não prestou depoimento à polícia no inquérito que apura o dossiê, a comissão decidiu esperar até a semana que vem para que ele apresente a sua versão sobre o caso.
Aparecido foi notificado pela CPI por meio de seu advogado, Maximiliano Telesca Mota, que compareceu pessoalmente ao Senado para receber a notificação.
Fernandes já havia sido notificado para depor hoje à CPI, mas a comissão decidiu adiar o seu chamado depois do compromisso firmado com a base aliada governista para que os dois falem no mesmo dia à comissão.