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Enquanto George W. Bush discursa em Jerusalém, foguete atinge lojas

Folhapress
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Jerusalém - Um foguete disparado da Faixa de Gaza atingiu ontem um shopping na cidade de Ashkelon, no sul de Israel, ferindo 16 pessoas, no momento em que o presidente americano, George W. Bush, falava em Jerusalém de seu otimismo em relação ao processo de paz na região.

Um grupo ligado ao Hamas assumiu a autoria do ataque, um dia depois de lançar um foguete que matou uma mulher a 15 km da faixa de Gaza. O disparo de ontem atingiu o terceiro andar do shopping Hutzot, causando “danos consideráveis’’, segundo a rádio do Exército israelense.

Israel acredita que o míssil era um modelo Katyusha, de fabricação iraniana, que tem alcance maior do que os Qassam, tradicionalmente lançados pelo Hamas. Israel respondeu com um ataque aéreo a Gaza, que matou dois ativistas do Hamas.

A retomada das hostilidades reforça o ceticismo generalizado em relação ao atual processo de paz, mediado pela Casa Branca. Mas os incidentes não abalam o entusiasmo do presidente americano, George W. Bush, que está em Israel por conta do 60º aniversário da criação do Estado judaico em cima de um território que os palestinos consideram seu.

O presidente americano, que fará hoje um esperado discurso no Parlamento israelense, reiterou sua crença de que um acordo de paz com os palestinos será alcançado ainda durante seu mandato - que acaba no fim do ano.

A turnê de Bush no Oriente Médio, que o levará ainda a Arábia Saudita e Egito, não incluiu a Cisjordânia, sede da Autoridade Nacional Palestina, onde esteve em janeiro. Desta vez, a clara prioridade de Bush era reforçar seu apoio a Israel. “Os EUA são o melhor e mais antigo amigo de Israel no mundo’’, disse Bush, acrescentando que a trajetória do Estado judaico por si só é motivo de esperança.

“Se você voltasse no tempo 60 anos e tentasse adivinhar onde Israel estaria agora, seria difícil imaginar uma terra tão próspera e cheia de esperanças’’, disse Bush, ao lado do colega israelense, Shimon Peres.Bush emocionou-se quando ouviu Peres chamá-lo de “grande líder’’ e “grande amigo [do Estado de Israel]’’.

Enquanto os israelenses festejavam, os palestinos iniciavam o luto pela Naqba, ou Dia da Catástrofe, em árabe. Na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, a população lembrou a perda de suas terras e sua expulsão do território destinado à criação do Estado de Israel. Houve protestos contra Bush.

Pelo menos 760 mil palestinos foram forçados ao êxodo durante a criação de Israel, no dia 14 de maio de 1948. O Estado judaico descarta negociar um retorno desses refugiados e seus descendentes, que somam 5 milhões de pessoas.

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