Internacional

Pobreza amplia destruição na China

Folhapress
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China - A pobreza presente no Interior chinês só aumentou a potência destrutiva do terremoto de segunda-feira, que deixou 14.866 mortos, segundo balanço mais recente do governo. A Agência Xinhua citou o vice-governador da Província de Sichuan, Li Chengyun, informando que 25.788 pessoas continuam soterradas, 14.051 estão desaparecidas e 64.746 estão feridas. As cidades mais afetadas, na Província de Sichuan, exibem uma precariedade ausente em todas as exibições de riqueza da nova China.

O acesso de donativos e de militares e médicos é difícil a cidades montanhosas de Sichuan. O governo isolou Wenchuan, epicentro do terremoto, onde se encontra o primeiro-ministro Wen Jiabao. Até soldados e médicos chegaram lá a pé. A reportagem viu apenas um helicóptero sobrevoando a região.

A reportagem levou quase quatro horas para chegar de Chengdu, capital da Província, a Liu Shui, distrito completamente destruído de Shifang - cidade onde 2.500 pessoas morreram e mais de 30 mil estão desaparecidas.

Estradas de terra e pedrinhas são as vias de acesso para a maioria desses vilarejos perdidos. O cenário é de fábricas abandonadas, construções inacabadas e casebres muito simples, destruídos pelo tremor.

Agricultores que ainda usam o arado manual e mulheres que carregam grãos em cestos nas costas mostram que a vida em Shifang não mudou muito nas últimas décadas. A maioria tem dentes cariados, pele muito queimada e aparência frágil.

O desenvolvimento acelerado (e desigual) da China fica para trás em Chengdu, de 12 milhões de habitantes, com diversas lojas de marcas como Louis Vuitton, Mercedes Benz e Porsche, e vários shoppings.

Mães continuam aos gritos ao redor das escolas destruídas. Ao menor sinal de que as equipes de resgate querem abandonar os trabalhos, atrás de sobreviventes em outros lugares, as mães partem para cima do Exército. Em um país onde filho único é determinação do governo, elas sentem que perderam tudo.

“Minha filha está machucada, mas foi a única que sobreviveu na classe dela. Ela tinha saído da sala, o que a salvou’’, diz Chen Xian Min, 36 anos. Agricultora, nesta época devia estar semeando arroz. Mas agora, falando da tenda onde se abriga, só quer saber onde vai morar.

Um casal de agricultores arma uma tenda no meio da rua, misturando compensado, telhas de amianto e sacos plásticos. “Minha casa desmoronou e eu caí no chão, machuquei o corpo inteiro, mas consegui fugir, estava de pijama. Estou comendo graças aos meus parentes’’, diz Zhang Shi Xu, 60.

Além de parentes, voluntários não param de chegar às regiões devastadas. Dezenas de pessoas enfrentavam as estradas precárias levando donativos para as regiões montanhosas. Filas para a doação de sangue se repetiram por todo o país. Celebridades, como o ator Jackie Chan, anunciaram doações milionárias às vítimas.

A Agência Xinhua informou que o governo enviou 50 mil soldados para a Província de Sichuan - a mais atingida pelo tremor - para ajudar no resgate das vítimas. A Xinhua citou oficiais do governo dizendo que as equipes de resgate que foram ontem para a cidade de Yingxiu, em Wenchuan - o epicentro do terremoto -, acharam a situação “muito pior que o esperado”.

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400 represas danificadas

China - O governo chinês anunciou ontem que 391 represas foram danificadas pelo terremoto que atingiu o país na segunda-feira. Dois mil soldados foram enviados para fechar rachaduras no reservatório de Zipingpu, entre as cidades de Wenchuan e Dujiangyan - duas das mais atingidas pelo abalo sísmico.

Segundo o Ministério dos Recursos Hídricos, não há risco para Dujiangyan e a planície de Chengdu, ambas abaixo do nível da represa de Zipingpu, cujas comportas foram parcialmente abertas para diminuir a pressão sobre a estrutura de concreto da barragem. O reservatório entrou em funcionamento em 2006, sob críticas de ambientalistas que alertavam para o risco de abalos sísmicos na região.

Na tarde de ontem, o governo foi à TV tranqüilizar os chineses, afirmando que os especialistas avaliaram como “segura e estável’’ a estrutura de Zipingpu.

Pequim afirma diz que não há razão para pânico -361 das represas atingidas são de pequeno porte. A 550 km do epicentro, Três Gargantas - que quando estiver em pleno funcionamento, em 2009, será a maior hidrelétrica do mundo - não sofreu danos consideráveis.

O principal risco, no momento, é a falta de energia. “O problema mais grave são os reservatórios próximos a Wenchuan’’, afirma He Biao, subsecretário-geral do governo da cidade de Aba. Ele diz que problemas na reserva Tulong, no rio Min, podem levar a um colapso que afetaria diversas hidrelétricas no baixo curso do rio.

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