Brasília - A chanceler alemã, Angela Merkel, elogiou ontem a ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente). Merkel ficou sabendo ontem da demissão de Marina, que entregou o cargo alegando falta de sustentação política para seus projetos.
Merkel elogiou Marina e afirmou que a ex-ministra “era muito respeitada na comunidade internacional”.
Ontem de manhã, a chanceler participou de um café-da-manhã com jornalistas alemães. No café, ela se disse que lamentava a saída de Marina do governo e que o fato poderia ser interpretado como um sinal de alerta. Merkel, entretanto, disse que não falaria muito sobre o caso porque esse era um assunto interno do Brasil e que não lhe dizia respeito.
Merkel conheceu Marina quando ela também era ministra do Meio Ambiente da Alemanha. Foi nesse posto que ele visitou o Brasil pela primeira vez.
Acordos
O governo brasileiro conseguiu extrair da Alemanha de Angela Merkel a preservação de parte de seus compromissos com o programa nuclear brasileiro.
Assinado ontem, ao final do encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Merkel, o Acordo de Cooperação no Setor Energético prevê que a Alemanha mantenha o fornecimento de peças e componentes e de combustível até, pelo menos, a conclusão da usina Angra 3. Trata-se de um dos principais projetos da área de energia do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).
O Acordo de Cooperação no Setor Energético substituirá o documento de 1975, que sustentou a montagem do programa nuclear brasileiro e que previa a construção de oito grandes reatores nucleares para a geração elétrica e a implantação de uma indústria teuto-brasileira para a fabricação de componentes e de combustível para reatores em um prazo de 15 anos. Nos últimos 33 anos, nem mesmo a metade dessa ambição foi alcançada.