Tribuna do Leitor

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Veja o meu caso, e tire sua conclusão.

Eu estava dormindo, quando um barulho horrível de ferros retorcidos derrubou-me da cama. Assustado, corri para a varanda e olhei para baixo, lá estava o trenzinho escolar do meu pai todo amassado, pois acabava de perder o freio e bater justamente na parede da minha casa.

Por sorte, não havia nenhuma criança dentro. Pensei o pior, ou seja, “acho que papai enfartou de novo”, e lá de cima da varanda eu não o visualizava ao volante. Nem pensei duas vezes, imediatamente pulei de uma altura de sete metros, pensando em socorrê-lo rapidamente, mas o fato é que eu quebrei o rosto inteiro, quatro dentes, um dedo etc...

Eu já na calçada, caído e todo ensangüentado, fui socorrido pelo meu próprio pai, que dizia assim: “Seu burro, nem era eu que estava dirigindo, esquecestes que agora sou cardíaco? Vamos já para o hospital!”. Antes que eu chegasse ao hospital, algumas pessoas já estavam acusando minha esposa de ter me jogado lá de cima, e logo que cheguei, os investigadores chegaram junto para prendê-la, ou seja, se eu morresse sem dizer nada, ela estaria presa até hoje!

Hoje papai já faleceu, inclusive ele dirige um trenzinho repleto de anjinhos inocentes, como a Isabella, que deve estar no banco da frente, puxando a cordinha do sino, e eu pularia da varanda quantas vezes fosse necessário, mas nunca perdoarei aqueles que sem ver absolutamente nada, foram acusando minha doce esposa, Luciana.

Jeronymo Bigarelli Neto

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