O motorista de Bauru que precisa dirigir pela avenida Duque de Caxias, por volta das 18h, sabe o tormento que vai enfrentar. O mesmo acontece com quem trafega pela avenida Rodrigues Alves, por volta das 17h30. E em ambas as vias entre 7h30 e 8h. Nos momentos de pico de tráfego nestas vias, milhares de carros, motocicletas e até pedestres duelam por cada metro quadrado de asfalto, deixando o trânsito de Bauru com ares paulistanos. E a situação tende a piorar. Em março, a frota da cidade ultrapassou os 168 mil veículos. A expectativa é chegar aos 170 mil ainda neste semestre - talvez neste mês.
Segundo dados da 5ª. Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), em julho do ano passado, Bauru contava com 159,2 mil veículo – 102 mil carros e 34 mil motocicletas. Oito meses depois, a frota da cidade aumentou 5%, com cinco mil carros e três mil motocicletas a mais circulando por Bauru.
O delegado Adib Jorge Filho, titular da Ciretran, pondera que enquanto a quantidade de veículos cresce, as vias não se alteram. “A frota aumenta progressivamente e o sistema viário permanece o mesmo. É preciso melhorias para que o trânsito flua com segurança”, observa.
Em março, o Jornal da Cidade publicou reportagem alertando que se a falta de investimentos no setor persistir o trânsito da cidade vai entrar em colapso. As últimas grandes obras no setor foram realizadas há cinco anos na gestão do ex-prefeito Nilson Costa. O pacote incluiu a duplicação de um trecho da avenida Nuno de Assis, próximo ao trevo de acesso à rodovia Marechal Rondon; o prologamento da avenida Getúlio Vargas, a partir da praça da Copaíba; e a construção do acesso da avenida Moussa Tobias à avenida Nuno de Assis.
No mesmo período, a quantidade de carros circulando em Bauru saltou de 120 mil para 168 mil. E ao trafegar pelas vias de trânsito intenso de Bauru, em horários de pico, a sensação que o motorista tem é que todos os quase 170 mil veículos da cidade estão todos ali, ao mesmo tempo.
O estudante de direito Edilson Rodrigo Marciano, conta que todas as noites vai de carro de sua casa, no Núcleo Beija-Flor, para a faculdade, na Vila Falcão. Para evitar o trânsito intenso do Centro, ele segue pelo Jardim Bela Vista. Apesar do caminho não ser o mais fácil, economiza cerca de 10 minutos. “Se eu vou pelo Centro, um trajeto de 15 minutos, no máximo, acaba indo para 25 minutos”, calcula.
Para Marciano a oferta de ônibus de transporte coletivo com melhor distribuição de horários, além de mais vias de sentido único, poderiam melhorar o fluxo do trânsito. “O término do viaduto (sobre os trilhos da Fepasa) também ajudaria muito”, aponta.
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Transtorno
Para comprovar o perrengue que situações comuns, como ir para o trabalho, ou chegar à faculdade, estão se tornando em Bauru, a reportagem do JC percorreu alguns trechos das principais vias da cidade, em horários de tráfego intenso, no final da tarde.
Da rotatória da avenida Rodrigues Alves, no Jardim Redentor, seguindo pela mesma via, depois pela avenida Pedro de Toledo e rua Campos Salles, até chegar à Vila Falcão, a reportagem demorou 16 minutos. No percurso, enfrentou 13 motocicletas e dois caminhões, além de 21 semáforos. Na volta, que levou 17 minutos, foram 11 motos, três caminhões, uma carroça e ainda teve que contornar uma Kombi quebrada.
Outro trajeto percorrido foi o da rotatória da Duque de Caxias, no Jardim Cruzeiro do Sul, seguindo pela avenida e rua Wenceslau Brás, até a Vila Falcão. No trajeto de ida, a reportagem levou 17 minutos para chegar ao destino, passando por 27 semáforos e dividindo espaço com 40 motocicletas. No retorno, que levou 19 minutos, a reportagem encontrou apenas 13 motos.