Internacional

Mianmar fala em 70 mil mortos e desaparecidos; ONU, em 100 mil

Folhapress
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Yangun - O número total de vítimas do ciclone Nargis que atingiu Mianmar em 3 de maio chegou aos 43.318 mortos e 27.838 desaparecidos, anunciaram ontem os meios de comunicação estatais do país. O número anterior, divulgado 24 horas antes, era de 38.491 mortos.

A ONU advertiu que o número de mortos poderá superar os 100 mil, e que mais pessoas poderão morrer se os dois milhões de sobreviventes não receberem ajuda básica rapidamente.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviará nos próximos dias o principal responsável das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, John Holmes, para acelerar a distribuição de ajuda.

A porta-voz da ONU Michèle Montas afirmou hoje que Ban tomou a decisão após a reunião realizada na quarta-feira com representantes de países do sudeste asiático, de Mianmar e das principais nações doadoras para aumentar a coordenação da ajuda internacional.

Montas afirmou que a missão de Holmes é facilitar a chegada da ajuda internacional às vítimas do ciclone na zona do delta do rio Irrawaddy, onde as autoridades locais restringiram a passagem de voluntários internacionais.

A porta-voz admitiu que a decisão de enviar o diplomata britânico, que recentemente tinha descartado viajar à região, responde a uma aparente mudança na atitude da Junta Militar.

Ban chegou a um acordo na reunião de anteontem com os membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) e os principais países doadores aumentar a coordenação da ajuda humanitária para que chegue de uma forma mais sistemática.

A reunião convocada por Ban faz parte de uma tentativa da ONU de vencer os obstáculos colocados pelo regime militar do país, perante o temor de que maiores atrasos provoquem “uma segunda onda de mortes”.

Já o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) está promovendo assistência às vítimas do Nargis fornecendo materiais para abrigo, cobertores e utensílios de cozinha.

Até ontem, o Acnur já havia transportado mais de 79 toneladas de suprimentos ao país.

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Referendo

Yangun - A junta militar que governa Mianmar (antiga Birmânia) anunciou que a sua Constituição foi aprovada por referendo ocorrido no sábado. Mas nem todos votaram, pois, nas regiões mais afetadas pelo ciclone Nargis, que atingiu o país no dia 2, a votação só será no dia 24.

A imprensa local, controlada pela junta, divulgou que 92,4% dos 22 milhões de eleitores aprovaram a nova Carta - o comparecimento foi de 99%. O governo, que a defende por “abrir caminho para eleições gerais em 2010'’, diz que o voto nas demais regiões, matematicamente, não altera o resultado.

A Constituição é criticada por dar 25% dos assentos do novo Parlamento para os militares, que também controlarão os principais ministérios. Ela prevê que, em caso de estado de emergência, o poder fique com o Exército. Os militares governam Mianmar desde 1962, e não há Carta desde 1988.

“Nesse referendo, houve muita fraude’’, acusou Nyan Win, porta-voz da oposicionista Liga Nacional para Democracia. Segundo ele, autoridades e fiscais das zonas eleitorais marcaram “sim’’ nas cédulas.

Os soldados chegaram a tirar cerca de 60 pessoas de um centro de refugiados para usá-lo como colégio eleitoral. “As pessoas estão morrendo, e eles estão falando do referendo?’’, contestou Kyaw Muang, dono de um mercado em Yangun. “Não se importam com quem morre, você acha que se importam com a democracia para os vivos?’’

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